O que a violência nos ensina

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Fonte da imagem : Blog Orelhas de Vidro

A educação com violência,  baseada  na imposição do medo, na dor, na punição, na insegurança, na raiva, no descontrole e no imediatismo, se perpetuou de geração em geração por muitos anos. Infelizmente, a violência contra criança, ainda hoje, é algo socialmente aceito. Acontece que os tempos mudaram, as crianças mudaram, logo, também precisamos mudar o nosso olhar sobre a educação que oferecemos à elas!

Posso dizer que tive uma infância feliz, diferente de muitas crianças. Brinquei bastante, tive o amor e o carinho de meus pais, liberdade para explorar e ter experiência ricas. No entanto, também fui vítima da violência reproduzida através dos meus pais. Não estou aqui para julgar o que os levou a usar este recurso, sei que eles tiveram seus motivos e suas limitações, assim como eu tenho as minhas. Todos temos os nossos desafios pessoais, e cabe a nós respeitá-los.

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Fonte da imagem: Google

A maternidade me trouxe um olhar mais íntimo para esta questão e tornou mais fácil a compreensão de que meus pais também foram vítimas dessa violência, provavelmente muito mais do que eu, e que esta era a forma de educar que eles aprenderam. Vivemos numa sociedade onde a violência é aceita e normatizada.

Apesar dos meus pais terem utilizado algum tipo de violência (mais emocional e psicológica do que física) na minha criação, eles foram responsáveis pela quebra de muitos paradigmas dentro da minha família, e isso também se refletiu na educação que deram para mim e meus irmãos. Sim, eles foram revolucionários em vários sentidos e devo a eles muito do que sou (que continuo sendo, me conhecendo e me recriando), mas isso não apaga os erros que cometeram. O fato é que quem sofre a violência jamais esquece.

Durante muito tempo acreditei que era merecedora daqueles cascudos, gritos e palavras ofensivas, como se fosse saudável pra qualquer ser humano se considerar merecedor de violência e humilhação. Hoje consigo enxergar além, e entendo claramente que nenhuma criança é merecedora de qualquer tipo de violência. A cada dia fica mais evidente para mim a falta de respeito com que os adultos tratam a crianças, sendo a violência e o autoritarismo a forma cruel de desrespeito. A necessidade do adulto em mostrar quem é que está no controle e a falta de argumentos (entre outras coisas) para sustentar este “status” leva ao uso da prática da violência como forma afirmar seu “poder”. Porque sim, bater, gritar, ameaçar é mais fácil e “cala a boca” de forma imediata. É a relação do oprimido e do opressor que se reproduz dentro da nossa própria casa.

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Fonte da imagem: Google

Quem nunca ouviu: “Eu é quem mando aqui e você obedece!” ou “Vai fazer porque eu estou mandando!” ou ” Cala a boca e obedece!” ou “Porque NÃO!!” ou ” Faz o que eu estou mandando e não enche a paciência!” ou “Quem manda aqui sou eu” ou “Não faça isso senão você vai apanhar!”, e por aí vai…

Por acaso você fala assim com algum adulto, sem levar uma resposta à altura ou até mesmo uma agressão física?

Se não devemos humilhar, agredir e desrespeitar as pessoas na rua, no trabalho, na escola porque ainda permitimos que algumas crianças sofram esse tipo de tratamento dentro da sua própria casa, por aqueles que deveriam estar praticando formas positivas de educar baseadas no amor e na confiança?

Afinal, o que a violência nos ensina?

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Fonte da imagem: Google

Considero abusiva a prática de bater, além de saber da ineficácia deste ato desrespeitoso e violento. Acontece que violência não tem relação com limites. Existem outras formas de impor limites e violência não é uma delas. Violência não impõe limite, impõe medo. Tenho consciência de que a violência além de física, pode ser emocional ou psicológica e fica registrada no inconsciente da criança.  Pois essa violência ficou registrada em mim, e a maternidade trouxe à tona esta marca que estava guardada lá no meu inconsciente.

O primeiro sinal que tive da existência dessa violência (em mim) e das minhas formas limitadas de educar, foi num episódio em que eu amamentava minha filha e ela mordeu meu seio. Meu  impulso foi gritar e repreendê-la pelo ato que me causou aquela dor. Aquele grito doeu em mim, em algum lugar bem profundo. Ela era um bebê que nunca tinha presenciado uma agressão. Sua reação foi imediata, chorou como se eu tivesse violentado-a fisicamente. Para mim foi o fim! Me senti a pior das criaturas desse universo! A perda de controle me gerou sentimentos de frustração, incapacidade e repulsa de mim mesmo.

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Fonte da imagem: Google

Tenho descoberto todos os dias que educar de forma positiva e consciente exige sair da nossa zona de conforto revisitando os lugares mais abandonados do nosso campo emocional e revendo nossas atitudes automáticas, nossos impulsos inconscientes, pequenos e quase cruéis. É um processo de autoconhecimento que nem sempre é fácil.  São lugares que ficam tão distantes daquilo que gostaríamos de ser, e que seria mais fácil fingir (pra nós mesmas) que ele nem existe.

Penso que educar é buscar vínculos, muito mais que do que simplesmente obedecer, calar, seguir regras. Mas como ensinar aquilo que ainda nem sei?? Esses são alguns dos desafios da maternidade. Os filhos são nossos espelhos e nos mostram o caminho que devemos seguir. Precisamos apenas estar atentas e disponíveis, para aproveitar cada oportunidade que a vida nos dá buscando novos caminhos para evoluir. CAM01448

Para quem, assim como eu, está disposta a percorrer este longo, lindo  e árduo caminho na busca por uma transformação pessoal, indico a leitura do livro “Educar sem violência” da Lígia Moreiras Sena e Andréia C.K. Mortensen, que você pode comprar na loja virtual do blog Cientista que Virou Mãe, da autora.

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Fonte da imagem: Blog Cientista Que Virou Mãe

 “A educação amorosa é um grande passo para darmos mais sentido a nossas vidas: tanto pelo seu valor intrínseco para nossos filhos como indivíduos e para o convívio familiar, quanto pelo que ela pode contribuir para a sustentabilidade planetária e para a justiça social – as grandes questões da nossa geração.”

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Dicas para acalmar o bebê em crises de choro

Conheci o Dr. Harvey Karp através de um vídeo apresentado por minha mãe quando eu ainda estava grávida onde ele demonstrava técnicas para acalmar bebês recém-nascidos. Achei incrível a eficácia dos métodos apresentados por ele e procurei saber um pouco mais do assunto.

O Dr. Harvey Karp é um pediatra americano e autor do livro O Bebê Mais Feliz do Pedaço, que ficou conhecido por ter desenvolvido uma técnica para acalmar bebês depois de mais de duas décadas de pesquisa em diversas culturas.

Fonte: Google
Fonte: Google

O método consiste basicamente em reproduzir as condições do ambiente intrauterino materno levando em consideração três coisas simples, que são: o ritmo constante de som lembrando os batimentos cardíacos e o som do órgãos internos da mãe; colocar o bebê enrolado em uma manta ou cobertor (charutinho) dando a sensação de estar apertadinho e quentinho; e manter um movimento constante que lembra o balanço ritmado dos passos e movimentos diários da mãe. O efeito calmante deste método se deve a resposta neurológica dos bebês a um ambiente similar ao que tinham na barriga da mãe que transmitindo-lhes segurança e conforto, e ativando neles o reflexo da calma.

Minha filha Luna Maria nunca foi de chorar muito, mas como todo bebê, chorava quando não tinha suas necessidades atendidas ou por algum outro motivo. Algumas vezes ela tinha dificuldade para dormir e ficava irritada, aí chorava mais. Utilizei algumas técnicas para acalmá-la e deram muito certo. Fazer um casulinho com o cueiro, reproduzir o som shhhh, sentar na bola de pilates e balançar, barulhinho de água corrente, amamentação em livre demanda, são algumas das técnicas que deram certo aqui em casa. Confesso que o shhh acalma meu bebezão até hoje!!

Achei a técnica bem consistente. Assim, se seu bebê estiver com “cólica” ou chorando excessivamente e, você já tentou de tudo e não sabe mais o que fazer, tente as técnicas do Dr .Karp!!

Abaixo segue o texto sobre a Teoria da Extero-gestação do Dr. Harvey Karp, traduzido por Flávia Mandic, onde ele explica os 5 métodos para acalmar bebês em momentos de crise de choro. Boa leitura! 🙂

Os bebês humanos estão entre os mais indefesos de todos os mamíferos. Por causa do maior tamanho do cérebro e do fato de que o tecido nervoso necessita de mais calorias para se manter que qualquer outro, grande parte do alimento ingerido é gasto em prover nutrição e calor para as células nervosas. Mais significante é o fato de que nossos bebês necessitam nascer mais cedo do que deveriam, com seus cérebros ainda não totalmente desenvolvidos. Se o bebê humano nascesse já com o sistema nervoso central amadurecido, sua cabeça não passaria pela pelve estreita da mãe no momento do parto. Ao contrário de outros mamíferos, como girafas e cavalos, o recém-nascido humano é incapaz de andar por um longo período após o nascimento, porque lhe falta o aparato neurológico maduro para tanto. O custo primal de ter um cérebro grande é que nossos filhotes nascem extremamente dependentes e em necessidade constante de cuidado.

O crescimento do nosso cérebro após o nascimento é mais rápido do que o de qualquer outro mamífero e segue neste ritmo por 12 meses.

A seleção natural demanda que pais humanos cuidem de seus filhos por um longo período e que os filhos dependam dos pais. Esta necessidade mútua traduz-se em um estado emocional chamado “apego”.
Em algumas culturas, como na tribo !Kung, bebês raramente choram por longos períodos e não há sequer uma palavra que signifique “cólica”. As mães carregam os bebês junto ao corpo, com um aparato semelhante a um “sling”, mesmo quando saem para a colheita. A relação mãe-bebê é considerada sacrossanta, eles permanecem juntos o tempo todo. O bebê tem livre acesso ao seio materno e vê o mundo do mesmo ponto de observação que sua mãe.

Nossa cultura ocidental não permite um estilo de vida idêntico ao de tribos primitivas, mas podemos tirar lições valiosas sobre como ajudar nossos bebês na adaptação à vida extra-uterina.

Nos primeiros 3 meses de vida, o bebê humano é tão imaturo que seria benéfico a ele voltar ao útero sempre que a vida aqui fora estivesse difícil.
É preciso compreender o que o bebê tinha à sua disposição antes do nascimento, para saber como reproduzir as condições intrauterinas. O bebê no útero fica apertadinho, na posição fetal, envolvido por uma parede uterina morninha, sendo balançado para frente e para trás a maior parte do tempo. Ele também estava ouvindo constantemente um barulho “shhhh shhhh”, mais alto que o de um aspirador de pó (o coração e os intestinos da mãe).

A reprodução das condições do ambiente uterino leva a uma resposta neurológica profunda “o reflexo calmante”. Quando aplicados corretamente, os sons e sensações do útero têm um efeito tão poderoso que podem relaxar um bebê no meio de uma crise de choro.

Os 5 métodos para acalmar um bebê até 3 meses de idade são extremamente eficazes SOMENTE quando executados corretamente. Sem a técnica correta e o vigor necessário, não adiantam em nada.

1. Pacotinho ou casulo (embrulhar o bebê apertadinho)

A pele é o maior órgão do corpo humano e o toque é o mais calmante dos cinco sentidos. Embrulhadinho, o bebê recebe um carinho suave. Bebês alimentados, mas nunca tocados, freqüentemente adoecem e morrem. Estar embrulhadinho não é tão bom quanto estar no colo da mãe, mas é um ótimo substituto para quando a mãe não está por perto.

Bebês podem ser embrulhados assim que nascem. Apertadinhos, de forma que não mexam os braços. Eles se sentem confortáveis, “de volta ao útero”. Bebês mais agitados precisam mais de ser embrulhados, outros são tão calmos que não precisam.

Se o bebê tem dificuldade para pegar no sono, pode ser embrulhado apertadinho, não é seguro colocar um bebê para dormir com um cueiro solto. Não permita que o cueiro encoste no rosto do bebê. Se estiver encostando, o bebê vai virar o rosto procurando o peito, ao invés de relaxar.

Todos os bebês precisam de tempo para espreguiçar, tomar banho, ganhar uma massagem. 12-20 horas por dia embrulhadinho não é muito para um bebê que passava 24 horas por dia apertadinho no útero. Depois de 1 ou 2 meses, você pode reduzir o tempo, principalmente com bebês tranqüilos e calmos.

Fonte: Google
Fonte: Google

2. Posição de Lado

Quanto mais nervoso seu bebê estiver, pior ele fica quando colocado sobre as costas. Antes de nascer, seu bebê nunca ficou deitado de costas. Ele passava a maior parte do tempo na posição fetal: cabeça para baixo, coluna encolhida, joelhos contra a barriga. Até adultos, quando em perigo, inconscientemente escolhem esta posição.

Segurar o bebê de lado ou com a barriga tocando os braços do adulto ajuda a acalmá-lo (a cabeça fica na mão do adulto, o bumbum encostado na dobra do cotovelo do adulto, com braços e pernas livres, pendurados). Carregar o bebê num sling, com a coluna curvada, encolhidinho e virado de lado, tem o mesmo efeito. Atualmente especialistas são unânimes em dizer que bebês NÃO DEVEM SER POSTOS PARA DORMIR DE BRUÇOS, pelo risco de morte súbita.

O bebê não sente falta de ficar de cabeça para baixo, como no útero, porque na verdade o útero é cheio de fluido e o bebê flutua, como se não tivesse peso algum. Do lado de fora, sem poder flutuar, virado de cabeça para baixo, a pressão do sangue na cabeça é desconfortável.

3. Shhhh Shhhh – O som favorito do bebê

O som “shhh shhh” é parte de quem somos, tanto que até adultos acham o som das ondas do mar relaxante.

Para bebês novinhos, “shhh” é o som do silêncio. Ele estava acostumado a ouvir tal som 24 horas por dia, tão alto quanto um aspirador de pó. Imagine o choque de um bebê acostumado a tal som o tempo todo chegando a um mundo onde as pessoas cochicham e caminham na ponta dos pés, tentando fazer silêncio!

Coloque sua boca 10-20 cm de distância dos ouvidos do bebê e faça “shhh”, “shhh”. Aumente o volume do “shh” até ficar tão alto quanto o choro do bebê. Pode parecer rude tentar “calar” um bebê choroso fazendo “shh”, mas para o bebê, é o som do que lhe é familiar.

Na primeira vez fazendo “shhh”, seu bebê deve calar pós uns 2 minutos. Com a prática, você será capaz de acalmar o bebê em poucos segundos. É ótimo ensinar isso aos irmãos mais velhos, que adorarão poder ajudar e acalmar o bebê.

Para substituir o “shhh”, pode-se ligar:
– secador de cabelos ou aspirador de pó
– som de ventilador ou exaustor
– som de água corrente
– um CD com som de ondas do mar
– um brinquedo que tenha sons de batimentos cardíacos
– rádio fora de estação ou babá eletrônica fora de sintonia
– secadora de roupas ligada com uma bola de tênis dentro
– máquina de lavar louças

O barulho do carro ligado também acalma a criança.

4. Balanço

“A vida era tão rica no útero. Rica em sons e barulhos. Mas a maior parte era movimento. Movimento contínuo. Quando a mãe senta, levanta, caminha e vira o corpo – movimento, movimento, movimento.”
(Frederick Leboyer, Loving Hands)

Quando pensamos nos 5 sentidos – visão, audição, tato, paladar e olfato – geralmente esquecemos o sexto sentido. Não é intuição, mas a sensação de movimento no espaço.

Movimento rítmico ou balanço é uma forma poderosa de acalmar bebês (e adultos). Isso porque o balanço imita o movimento que o bebê sentia no útero materno e ativa as sensações de “movimento” dentro dos ouvidos, que por sua vez ativam o reflexo de acalmar.

Como balançar?

1. Carregando o bebê num “sling” ou canguru;
2. Dançando (movimentos de cima para baixo);
3. Colocando o bebê num balanço;
4. Dando tapinhas rítmicos no bumbum ou nas costas;
5. Colocando o bebê na rede;
6. Balançando numa cadeira de balanço;
7. Passeando de carro;
8. Colocando o bebê em cadeirinhas vibratórias (próprias para isso);
9. Sentando com o bebê numa bola inflável de ginástica e balançando de cima para baixo com ele no colo;
10. Caminhando bem rapidamente com o bebê no colo.

Quando balançar o bebê, seus movimentos devem rápidos mas curtos. A cabeça do bebê não fica sacudindo freneticamente. A cabeça move no máximo 2-5 cm de um lado para o outro. A cabeça está sempre alinhada com o corpo e não há perigo de o corpo mover-se numa direção e cabeça abruptamente ir na direção oposta.

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Luna Maria no sling

5. Sucção

No útero, o bebê está apertadinho, com as mãos sempre próximas ao rosto, sugando os dedos com freqüência. Quando nasce, não mais consegue levar as mãos à boca. A sucção não-nutritiva é outra forma de acalmar o bebê. A amamentação em livre demanda não é recomendada somente para garantir a nutrição do bebê e a produção de leite da mãe, mas também para suprir a necessidade de sucção não-nutritiva. Alguns especialistas orientam às mães a darem chupetas para isso, mas ainda que a chupeta seja oferecida ao bebê, não deve ser introduzida nas 6 primeiras semanas de vida, quando a amamentação ainda está sendo estabelecida. Há sempre o risco de haver confusão de bicos e o bebê sugar o seio incorretamente.

É importante lembrar que o bebê nunca chora à toa. O choro nos primeiros meses de vida é a única forma de comunicar que algo está errado. Ainda que ele esteja limpo e bem alimentado, muitas vezes chora por necessidade de aconchego e calor humano. Por isso, falar que bebê novinho (recém nascido até 3 meses ou mais) faz manha (no sentido de chorar para manipular “negativamente” os pais) não tem sentido. Bebês novinhos simplesmente não tem maturidade neurológica para tanto.”

Vale lembrar que estas técnicas devem ser aplicadas nesta ordem para sua eficácia. O Dr. Karp também enfatiza que os papais (isso mesmo!) são “experts” nesta técnica pois geralmente estão menos cansados e podem ter a calma necessária para sua execução. Além disso, este momento pode servir para fortalecer o vínculo afetivo entre pais e bebês. Mamães, que tal deixar os pais cuidarem um pouco do bebê e aproveitar para descansar um pouco, tomar um banho relaxante, fazer uma refeição com tranquilidade, heim?? Fica a dica! 😉

Alguns bebês podem mostrar-se incomodados com algum dos métodos, nestes casos a mãe não deve insistir. É possível perceber se o bebê está satisfeito através do choro, se o choro diminuir e ficar mais tranquilo, ok. Senão, tente em outro momento.

Seguem alguns vídeos e explicativos do método:
http://www.youtube.com/watch?v=n7m7iWdXypY
http://www.youtube.com/watch?v=-Y2cKqiQUGI

Bibliografia: The Happiest Baby on The Block, Dr. Harvey Karp, Bantam Dell, 2002. New York.

Texto traduzido por Flavia O. Mandic originalmente publicado na comunidade “Soluções para noites sem choro“.

Diga-me com quem dormes e eu te direi…

Foto: janellewoo.com
Foto: janellewoo.com

Um assunto bastante controverso e que divide opiniões é a tal da cama compartilhada. Confesso que até acho engraçada essa mania que o povo tem de opinar em tudo, até na forma como dormimos! Considero uma decisão muito pessoal a escolha de onde, como e com quem dormimos, e isso se estende também aos nossos filhos até que eles cresçam e tenham autonomia suficiente para decidir sobre essas questões. Devemos tomar cuidado com conselhos e opiniões de livros, artigos, pediatras, familiares ou amigos que dizem que “tem que ser ou fazer assim ou assado, pois esse é o único jeito certo”. Lembrem-se de que cabe única e exclusivamente aos pais (em negrito) responder à questão “Aonde meu bebê deve dormir?”, entre tantas outras questões acerca da maternidade e/ou paternidade. Porque venhamos e convenhamos, não existem regras universais de como criar um filho! Cada família tem uma realidade diferente e, o que serve para uma pode não servir para outra. A convicção da família sobre esta escolha deveria ser suficiente para legitimar tal decisão. Portanto, ouçam seus instintos maternais e paternais, pois com certeza eles valem mais do que mil conselhos!

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Enfim, então vamos falar deste tema polêmico e alvo de tantas críticas!

Na sociedade moderna atual existe uma cultura arraigada, especialmente aqui no ocidente, de proporcionar o afastamento físico entre mãe e bebê, e isso já começa desde o nascimento quando o bebê é separado da mãe na primeira hora de vida dentro das maternidades. E essa “tradição” se perpetua quando a mãe volta para casa e  o bebê tem que dormir no berço em quarto separado dos pais, quando falam pra mãe que o bebê vai ficar mimado se der no colo demais, quando falam que o choro do bebê não deve ser atendido prontamente, etc, etc, etc. Nessa sociedade moderna onde os valores materiais são maiores que os valores afetivos, a ideia de se criar bebês independentes  tomou força por causa da inserção da mulher no mercado de trabalho e dos movimentos feministas. Assim, criou-se a ideia de que bebês que tem o seu choro atendido prontamente, que recebem proteção e são supridos em sua necessidade de contato físico e afeto, ficam dependentes dos pais. Porém, o que ficou esquecido é que bebês não se tornam dependentes, eles são dependentes!

Imagina um bebê que acabou de sair de um lugar escurinho, quentinho, apertadinho, embalado pelos passos ritmados e movimentos da mãe e, cuja trilha sonora era o som do útero e dos batimentos cardíacos materno… Agora imagina este mesmo bebê num local desconhecido, frio, espaçoso demais para ele, silencioso, tranqüilo e sozinho. O bebê interpreta seu próprio quarto como um sinal de que foi abandonado, de que está sozinho num lugar totalmente estranho a ele. Quando deixamos nosso bebês sozinhos esquecemos das suas necessidades básicas de proximidade e afeto.

“A noite é um abismo longo e escuro para os bebês terem que atravessar sozinhos”

Laura Gutman

É comum ver mães exaustas porque ficam a noite toda num ciclo interminável onde: bebê chora –> pais acordam e vão até o quarto do bebê –> atendem as necessidades do bebê (mamar, arrotar e trocar fralda) –>colocam o bebê para dormir –> voltam para seu quarto; e o ciclo recomeça de novo, e de novo, e de novo, e assim vai pela madrugada adentro. Também ouço relatos de pais que se desesperam porque o bebê só dorme bem quando está no colo e se colocado no seu berço, chora como se isso fosse uma tortura para eles. E há ainda aqueles pais tentam acostumar o bebê a dormir sozinho desde cedo para torná-lo “independente” (loucura, não??!!). Alguns métodos utilizados para “treinar” o sono do bebê ensinam os pais a ignorar seu choro a fim de “vencer” a reação natural da criança que chora quando deixada sozinha, o que acaba criando uma situação que afeta de forma negativa tanto a qualidade do sono quanto vínculo afetivo entre pais e bebês.

É necessário alertar que raramente um bebê adormece sozinho e dorme a noite toda desde o princípio, muitos necessitam de contato físico e emocional durante a noite. Será que não vale a pena refletir porque o bebê não gosta de dormir no berço sozinho? A melhor forma de lidar com o sono do bebê nas primeiras semanas de vida é oferecendo-lhe um ambiente que lhe é agradável. E o que pode ser mais agradável para um bebê recém-nascido do que contato direto com sua mãe? Nada, né, gente?! Para o bebê não existe local mais seguro, confortável e agradável do que o colinho e o peitão da mamãe!!

Muitos pais que seguem as teorias da Extero-Gestação e da Criação com Apego optam por dormir junto de seus bebês colocando-os em suas próprias camas ou em anexos acoplados à ela. Essa prática é comumente chamada cama compartilhada ou “co-sleeping” e os casais que optam por ela devem se informar a respeito de alguns cuidados (nada demais, apenas o mínimo de bom senso) antes de colocá-la em prática.

Existem estudos que condenam esta prática afirmando que o risco de morte súbita nos recém nascidos é maior quando estes compartilham a cama com seus pais. No Blog cientista que virou mãe foi publicada uma análise, feita por Tracy Cassels, do artigo científico que associa a cama compartilhada à síndrome de morte súbita em recém nascidos, que questiona suas conclusões, visto que vários dados usados no estudo são inconclusivos, bem como houve uma confusão nos critérios utilizados para definir o que é a cama compartilhada e quais seus riscos. Por outro lado, muitos estudos  científicos comprovam os benefícios da cama compartilhada para os pais e para os bebês. Pesquisadores do Departamento de Neurologia da Universidade da California publicaram um artigo concluindo que prática de cama compartilhada diminui os riscos da morte súbita do recém nascido, pois qualquer alteração em seu sono será percebida pela mãe e socorrida prontamente. Além disso, o estudo também comprova a  melhora da qualidade do sono dos bebês diminuindo o número de vezes que acordam à noite.

Os benefícios da cama compartilhada, tanto para a criança quanto para o adulto, são comprovados não só através de estudos científicos, mas  também por meio de experiências empíricas sendo praticada por muitas famílias em diferentes culturas.  Cada vez mais casais vem optando por dormir junto de seus filhos e, assim, terem noites de sono mais tranquilas.

Estudos à parte, o que importa é a decisão pessoal de cada família de acordo com a sua realidade. Não existem regras nem normas quando o assunto diz respeito à vida de uma família. Cada uma precisa encontrar o que é melhor para si, confiando em seu instinto, ouvindo seu coração e seguindo aquilo satisfaz as suas necessidades sempre com amor e respeito.

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Aqui em casa não foi diferente! Praticamos a cama compartilhada desde que Luna Maria chegou ao mundo. Hoje, um ano e um mês depois, ainda dormimos com a nossa pimpolha, mas agora nós migramos para o quarto dela, juntamos dois colchões de solteiro e fizemos um camão no chão. É uma delícia acordar junto dos meus amores todos os dias! Além disso, é claro, os motivos que me levaram à tal escolha foram a busca por segurança, proximidade física e emocional da minha cria durante a noite  e, a praticidade e comodidade de não precisar levantar da cama facilitando os cuidados com o bebê e, especialmente, a amamentação. A Luna Maria nem se quer abre os olhos! Quando ela dá aquela resmungada eu já coloco os “super peitões” para fora, ela dá uma mamadinha express e volta a dormir. Não tem erro!! Assim, o sono da família permanece minimamente preservado (totalmente é “impossible”!!).

Todo bebê apresenta ciclos de sono onde há pequenos despertares durante a noite. Assim, é super normal que os bebês despertem nas fases de sono leve. Alguns bebês conseguem voltar a dormir sozinhos, assim dizemos que “dormem bem”, mas a maior parte deles precisa de ajuda para voltar a dormir. A Luna Maria quase nunca precisou ser embalada no meio da noite nos primeiros meses pois não acordava muito durante a madrugada. Depois de alguns meses (após os 7 meses) as coisas mudaram um pouquinho e ela começou a despertar mais vezes durante a noite para mamar. No entanto, isso não foi um problema, pois com a prática da cama compartilhada ela nem chegava a acordar e já estava sendo amamentada. Tudo  fluiu de forma muito natural.

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Lembro que nos primeiros dias de vida de Luna Maria coloquei ela para dormir no moisés ao lado da minha cama. Eu acordava de 10 em 10 minutos para ver se ela estava respirando. Sabia até o ritmo da respiração dela e quando ele mudava eu ia dar uma checada para ver se estava tudo bem. Que nóia!!! Quando decidi colocá-la para dormir na nossa cama confesso que foi um alívio para mim sentir a respiração dela tão de pertinho. Não existe sensação melhor do que acordar e ver aquele serzinho de luz todo descabelado e com um sorriso de orelha a orelha olhando para você! Ainda tem os carinhos que ela me faz durante a noite e as surpresinhas pela manhã, como ser acordada com um dedinho lindo e fofo cutucando meu olho!! Hoje em dia rola até beijinho de bom dia!! Aimmm!! Morro de amores e satisfação em ver minha cria crescendo feliz e se sentindo plenamente amada e protegida.

Bem, com a gente a cama compartilhada tem dado certo até o presente momento em que escrevo este post. Amanhã… Só Deus sabe, minha gente!

Cama compartilhada (Fonte: google)

 

Segue alguns benefícios da prática da cama compartilhada:

  • Ela facilita o aleitamento materno e sincroniza o sono dos dois *1,2,3,4,5
  • Quando feita com os cuidados necessários diminui a incidência da síndrome de morte subida do recém-nascido *2,3,4
  • A mãe não precisa se levantar para amamentar, nem mesmo acordar completamente para amamentar, conseguindo descansar mais *4,5
  • Estudos mostram que crianças que dormem com os pais são mais autoconfiantes e tem maior autonomia do que as crianças que não o fazem *4
  • Intensifica os vínculos afetivos com os pais *4,5
  • Os bebês choram menos *4,5
  • Os bebês estão mais protegidos, pois caso precisem de socorro, os pais percebem com maior rapidez *2,3,4,5

Quais os cuidados básicos que se deve ter para compartilhar a cama?

  • Não utilizar colchas ou edredons pesados
  • Não utilizar muitos travesseiros na cama
  • Não dormir alcoolizado ou sob efeito de outras drogas ou remédios controlados
  • Colocar o bebê para dormir entre a mãe e a parede

Livros recomendados:

  • William, Robert, James e Martha Sears, The baby sleep book. Little Brown and Company, Time Warner Book Group (2005).
  • Elizabeth Pantley, Soluções para noites sem choro. Editora Mbooks (2002).
  • Harvey Karp, O bebê mais feliz do pedaço. Editora Planeta do Brasil (2004).
  • Margot Sunderland, The science of parenting. DK Publishing Inc. (2006).
  • Hetty van de rijt, Frans Plooij. Oje, ich wachse. Goldmann Publisher (1998).
  • Sleeping with Your Baby: A Parent’s Guide to Cosleeping. James J. McKenna. Platypus Media (2007)

Fontes consultadas:

¹MOTTA, Danielle.  Um bebê na cama dos pais. Revista Eletrônica Polêmica. Disponível em http://www.polemica.uerj.br/pol22/cquestoesc/artigos/contemp_4.pdf

²SENA, Ligia. Cama compartilhada: por que é bom e seguro? Disponível em http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2012/03/cama-compartilhada-por-que-e-bom-e.html

³ http://www.attachmentparenting.org/infantsleepsafety/

http://www.slingando.com/index.php/compartilhar-a-cama-com-o-bebe.html

http://www3.nd.edu/~jmckenn1/lab/advantages.html

http://www.cosleeping.org/

https://pt-br.facebook.com/…camacompartilhada/301069299917486

http://pediatrics.aappublications.org/content/100/5/841.short

Benefícios dos carregadores Baby Slings para você e o bebê

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Sempre me visualizei carregando meu bebê perto de mim, assim bem coladinho no meu corpo. Imaginava como nas fotos de quando eu era bebê com minha mãe me carregando pra cima e pra baixo utilizando canguru, que é bem comum no Japão. Acho que é a maneira mais fácil e natural de integrar o bebê a sua vida diária e afazeres domésticos. No entanto, durante um dos meus passeios pelo mundo virtual encontrei uma forma diferente de carregar bebês junto ao corpo bem do jeito que eu queria. Era o tal do baby sling.

Um baby sling nada mais é do que um porta-bebês de pano usado a tiracolo que possui uma zona côncava onde o bebê fica aninhado. Concebido inicialmente nos EUA, em 1981 por Dr. Rayner Garner, os baby slings são uma adaptação à vida urbana dos lenços e panos usados tradicionalmente em todo o mundo para transportar os bebês e crianças pequenas, e têm vindo a tornar-se cada vez mais populares pela sua simplicidade e óbvios benefícios que proporcionam.

Achei fantástica a ideia e decidi que iria experimentar com minha filha. Acabei ganhando um sling de argola que foi da esposa do meu tio e quase não foi usado. Amei e continuo amando a experiência!!! Luna Maria, então, nem se fala!!rs O sling não só é prático, como também reafirma a sua capacidade de prover o ambiente mais benéfico possível para o bebê. E assim, vamos continuar juntinhas, coladinhas do jeitinho que a gente gosta…

Luna Maria com 15 dias coladinha na mamãe
Luna Maria com 15 dias coladinha na mamãe

 

Benefícios dos baby slings para:

  • os bebês que são carregados
  1. Choram menos! (43% menos no total e 54% menos durante as horas do dia) *1
  2. São mais saudáveis! (ganham peso mais rápido, tem melhor habilidade motora, coordenação, maior tonificação muscular e senso de equilíbrio) *2
  3. Tem uma melhor visão do mundo! (bebês em carrinhos vem o mundo a altura dos joelhos de um adulto)
  4. Dá mais segurança . O bebê tem acesso a comida, calor e amor.
  5. Ganham independência mais rapidamente! *3
  6. Dormem melhor! (mais rapidamente e por períodos mais longos) *3
  7. Aprendem mais! (não são super-estimulados, mais calmos e alertas, observando e participando do mundo ao seu redor) *3
  8. São mais felizes! (se sentem mais amados e seguros) *4
Luna Maria com 1 mês no sling fazendo um passeio ao ar livre e muita natureza
Luna Maria com 1 mês no sling fazendo um passeio ao ar livre, com a família e muita natureza

 

  • para você que carrega o bebê
  1. Melhora a comunicação entre os dois, já que você se sintoniza com os gestos e expressões dele.
  2. Cria pais mais auto-confiantes. Não há nada melhor que ter um bebê calmo e contente graças a que você sabe atender suas necessidades.
  3. É conveniente . Não há incomodidades nem complicações como ter que carregar um bebê-conforto num braço e o bebê no outro.
  4. Facilita a locomoção. Você pode caminhar por calçadas e terrenos irregulares, ruelas estreitas, subir e descer escadas, entrar a locais com muita gente sem bater em ninguém com o carrinho, etc.
  5. É saudável para você. Permite você sair para caminhar e respirar ar puro!
  6. Amamentação discreta sem necessidade de buscar um lugar apropriado para sentar.
  7. Permite você interagir com outras crianças ou filhos e ainda assim manter seu bebê perto e seguro.
  8. Mãe e bebê podem sair de casa juntos! Você pode ir a qualquer lugar com seu bebê seguro e acolhido.
  9. Suas mãos estão livres. Você pode fazer compras, caminhar, passear, ler um livro,  brincar com o seu filho maior ou ainda sair para um lindo almoço na cidade.
  10. É a solução natural para o sono do bebê. Você acalma e agrada seu bebê com seu calor, sua voz, seus movimentos e o batimento de seu coração.

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Fontes Citadas