De mãe para filha, de filha para mãe

 
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Fuçando em minha caixa de email ontem, encontrei uma mensagem que minha mãe me enviou no dia do meu aniversário de 28 anos. Naquela época eu ainda não era mãe, mas hoje essas palavras ganharam um significado mais profundo em minha vida.

Poderíamos portanto dizer que toda mãe contém a filha em si mesma e toda filha, a mãe; e que toda mulher projeta-se para trás estendendo-se na mãe e para a frente, na filha. Essa participação e “entremeação” produz uma estranha incerteza no que concerne ao tempo; a mulher vive antes como mãe e mais tarde como filha. A experiência consciente desses laços produz o sentimento de que sua vida está espalhada sobre gerações – o primeiro passo na direção da experiência imediata e convicção de estar fora do tempo, que traz consigo um sentimento de imortalidade.

Jung, C. G. Collected Works, v.9, 1. Princeton University Press. p. 188.

Na primeira vez que li era apenas uma mensagem bonita de uma mãe amorosa para sua filha primogênita e aniversariante. Hoje leio como mãe que busca realização na existência da filha, e também como filha que busca na mãe sua própria identidade. E pensar que já vivi mergulhada em seus fluidos como parte do seu todo… Antes uma, depois duas e agora três: minha mãe, eu, minha filha. Nasce mãe, nasce filha. Uma existência que dá sentido à outra criando a dimensão da continuidade atemporal.

É a vida que se segue infinita num caminho de gerações.

Namastê! ❤