1º Encontro da Maternagem Consciente

Mulheres, mães, pais, cuidadores e todos que se interessarem, aqui vai uma dica de um evento super legal que acontecerá durante os dias 17 e 23 de março.

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“Este Encontro destaca-se por ser o primeiro a encarar a relação com a criança prezando o afeto e o vínculo, saindo do senso comum e propondo discutir temas quase polêmicos ou desconhecidos para a maioria da população.

Abordaremos assuntos que saem do eixo tradicional do público de gestantes e mães, convidando todos a uma grande reflexão sobre um mundo de possibilidades (ou a ausência delas). Um mundo que criamos para os nossos filhos e o poder de mudança que essa criança poderá ter no futuro, como agente transformador da nossa sociedade.

Acreditamos que um novo mundo está nascendo, com renovação de valores e a intenção real de construção de um lugar mais justo e mais sustentável para se viver. Como cuidar e acolher essas novas crianças, que mais sensíveis e conscientes, serão responsáveis por promover toda essa transformação na mentalidade ainda dominante e questionar os padrões vigentes?”

Eu já me inscrevi.
É online e gratuito!
Corra lá e se inscreva-se! 😉

 

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MAIS EMPATIA POR FAVOR! – sobre a campanha contra o aborto

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Na semana que antecedeu o carnaval uma campanha no facebook desafiava as mulheres a postarem fotos de si mesmas grávidas afirmando serem contra a legalização do aborto.

Fiquei assustada com o número de mulheres apoiando a criminalização do aborto, porém não me surpreendi. Afinal, vivemos numa sociedade machista onde os valores morais baseiam-se numa forma opressora de pensar e de ver o mundo. Acredito que todas nós, mulheres, ganharíamos muito mais se concentrássemos nossas forças não na luta de umas contra as outras, e sim na união, na empatia, na aceitação da história de vida, nas escolhas e decisões de cada UMA.

Quando vejo mulheres que reproduzem o machismo, percebo o quanto estamos desunidas e perdendo a força. Apesar de muitas mulheres terem idéias, falas e atitudes machistas, isso não as torna opressoras, nem tira sua qualidade de vítima; apenas faz delas pessoas menos conscientes da opressão que sofrem – o que não as isenta da responsabilidade de seus atos e palavras.

Li alguns depoimentos, textos lindos, verdadeiros relatos de amor ao filho que está por vir e à outros que já nasceram. Mas o que observei foram apenas exposições de experiências, opiniões e crenças pessoais que nada tem a ver com a questão levantada – LEGALIZAÇÃO DO ABORTO. Trata-se de uma questão muito complexa, que envolve a vida de mulheres e crianças, para ser baseada em opiniões e crenças pessoais. Não podemos usar nossos parâmetros pessoais para decidir sobre a vida e o corpo do outro simplesmente porque não faríamos ou não concordamos. Não se trata de uma pesquisa de opinião! É necessário que a gente consiga estender o olhar para além do nosso lindo umbigo! Entenda: ser a favor da legalização do aborto não significa que você seja obrigada a praticar o ato! Você tem o direito de não fazer!

Se você, baseado no seu estilo de vida, na sua educação, nas suas crenças pessoais, na sua realidade atual, etc, não concorda com o aborto ou não praticaria, ótimo! Simplesmente NÃO FAÇA! Você tem escolha! Você tem esse direito garantido por lei! Olha que bacana!

Mas se você, também baseado em suas crenças, história de vida, etc, optar por fazer um aborto… Você estará cometendo um crime passível de pena e abominado por grande parte da população brasileira, inclusive por muitas mulheres! Sim, elas (suas amigas, irmãs, colegas de trabalho, tias, avós, etc) também te julgarão! Você não tem escolha! Pode ser presa, correrá risco de vida e ainda poderá ser “apedrejada” (entenda: julgada) por suas semelhantes! Então se esconda, fuja, corra, silencie, sofra calada… :/

Quanta opressão!

Será que precisa ser assim? Será esta uma medida justa?

Que tal deixarmos de lado, por um momento, nosso julgamento e nos colocarmos na posição da outra pessoa tentando olhar pela perspectiva dela o que se passa em sua vida, nos despindo, naquele momento, das nossas próprias crenças, da nossa forma de ver o mundo, e adotando as dela?

Sabe qual o nome disso? EMPATIA!

Sentir dor pela dor do outro, alegria pela alegria do outro, tristeza pela tristeza do outro, é o que nos torna humanos! No mundo moderno a prática da humanidade tem se tornado algo da qual precisamos tentar nos lembrar constantemente e, em alguns casos é até considerada uma verdadeira ofensa! Infelizmente, vivemos num mundo que precisa de humanização e onde cada vez mais se perde empatia.

A empatia inclui aceitar que qualquer pessoa pode ser e pensar diferente. Cabe a cada um de nós trabalharmos a nossa moral – ou não.

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Acredito que a legalização seria uma forma de estabelecer limites e abrir diálogo para uma situação que já existe, queira você ou não, goste você ou não. A criminalização do aborto nunca impediu que o ato em si ocorresse, apenas que acontecesse de forma clandestina e perigosa.

Estima-se que uma em cada cinco mulheres já tenham feito pelo menos um aborto.

Mulheres solteiras abortam. Mulheres casadas abortam. Mulheres com filhos abortam. Mulheres sem filhos abortam. Mulheres religiosas abortam. Mulheres com grana abortam. Mulheres sem grana abortam. Mulheres saudáveis abortam. Mulheres doentes abortam.

Enfim, MULHERES ABORTAM independente do seu estado civil, classe social, crença religiosa, etc.

Apenas aceitemos este FATO.

A criminalização do aborto não vai mudar a triste realidade dessas mulheres abortam e se submetem às mais variadas formas de violência colocando sua própria vida em risco por motivos que não nos cabe julgar.

Certamente no círculo de mulheres que você convive alguma delas, ou várias, já praticaram o aborto. Provavelmente você ama alguma mulher que já praticou um aborto. Olhe à sua volta! Neste momento essas mulheres podem estar sofrendo muito com as suas palavras e você jamais saberá disso. Isso não é suficiente para que você reconsidere seu julgamento?

A falta de diálogo e esse silêncio sobre um assunto tão urgente na nossa sociedade me fazem enxergar o pior aspecto da criminalização do aborto. É como se as pessoas quisessem esquecer a existência de um ato que vai contra os valores morais de cada um e, que precisa ser tratado com mais respeito. Não só porque existem mulheres que sofrem sozinhas e caladas enquanto precisam de apoio, mas porque esse diálogo facilitaria a compreensão da escolha do outro (EMPATIA) e o respeito ao direito da mulher em relação ao seu próprio corpo.

Por isso eu convido-o (a) a repensar a questão do aborto com mais EMPATIA e menos julgamento. 😉

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