Dicas para acalmar o bebê em crises de choro

Conheci o Dr. Harvey Karp através de um vídeo apresentado por minha mãe quando eu ainda estava grávida onde ele demonstrava técnicas para acalmar bebês recém-nascidos. Achei incrível a eficácia dos métodos apresentados por ele e procurei saber um pouco mais do assunto.

O Dr. Harvey Karp é um pediatra americano e autor do livro O Bebê Mais Feliz do Pedaço, que ficou conhecido por ter desenvolvido uma técnica para acalmar bebês depois de mais de duas décadas de pesquisa em diversas culturas.

Fonte: Google
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O método consiste basicamente em reproduzir as condições do ambiente intrauterino materno levando em consideração três coisas simples, que são: o ritmo constante de som lembrando os batimentos cardíacos e o som do órgãos internos da mãe; colocar o bebê enrolado em uma manta ou cobertor (charutinho) dando a sensação de estar apertadinho e quentinho; e manter um movimento constante que lembra o balanço ritmado dos passos e movimentos diários da mãe. O efeito calmante deste método se deve a resposta neurológica dos bebês a um ambiente similar ao que tinham na barriga da mãe que transmitindo-lhes segurança e conforto, e ativando neles o reflexo da calma.

Minha filha Luna Maria nunca foi de chorar muito, mas como todo bebê, chorava quando não tinha suas necessidades atendidas ou por algum outro motivo. Algumas vezes ela tinha dificuldade para dormir e ficava irritada, aí chorava mais. Utilizei algumas técnicas para acalmá-la e deram muito certo. Fazer um casulinho com o cueiro, reproduzir o som shhhh, sentar na bola de pilates e balançar, barulhinho de água corrente, amamentação em livre demanda, são algumas das técnicas que deram certo aqui em casa. Confesso que o shhh acalma meu bebezão até hoje!!

Achei a técnica bem consistente. Assim, se seu bebê estiver com “cólica” ou chorando excessivamente e, você já tentou de tudo e não sabe mais o que fazer, tente as técnicas do Dr .Karp!!

Abaixo segue o texto sobre a Teoria da Extero-gestação do Dr. Harvey Karp, traduzido por Flávia Mandic, onde ele explica os 5 métodos para acalmar bebês em momentos de crise de choro. Boa leitura! 🙂

Os bebês humanos estão entre os mais indefesos de todos os mamíferos. Por causa do maior tamanho do cérebro e do fato de que o tecido nervoso necessita de mais calorias para se manter que qualquer outro, grande parte do alimento ingerido é gasto em prover nutrição e calor para as células nervosas. Mais significante é o fato de que nossos bebês necessitam nascer mais cedo do que deveriam, com seus cérebros ainda não totalmente desenvolvidos. Se o bebê humano nascesse já com o sistema nervoso central amadurecido, sua cabeça não passaria pela pelve estreita da mãe no momento do parto. Ao contrário de outros mamíferos, como girafas e cavalos, o recém-nascido humano é incapaz de andar por um longo período após o nascimento, porque lhe falta o aparato neurológico maduro para tanto. O custo primal de ter um cérebro grande é que nossos filhotes nascem extremamente dependentes e em necessidade constante de cuidado.

O crescimento do nosso cérebro após o nascimento é mais rápido do que o de qualquer outro mamífero e segue neste ritmo por 12 meses.

A seleção natural demanda que pais humanos cuidem de seus filhos por um longo período e que os filhos dependam dos pais. Esta necessidade mútua traduz-se em um estado emocional chamado “apego”.
Em algumas culturas, como na tribo !Kung, bebês raramente choram por longos períodos e não há sequer uma palavra que signifique “cólica”. As mães carregam os bebês junto ao corpo, com um aparato semelhante a um “sling”, mesmo quando saem para a colheita. A relação mãe-bebê é considerada sacrossanta, eles permanecem juntos o tempo todo. O bebê tem livre acesso ao seio materno e vê o mundo do mesmo ponto de observação que sua mãe.

Nossa cultura ocidental não permite um estilo de vida idêntico ao de tribos primitivas, mas podemos tirar lições valiosas sobre como ajudar nossos bebês na adaptação à vida extra-uterina.

Nos primeiros 3 meses de vida, o bebê humano é tão imaturo que seria benéfico a ele voltar ao útero sempre que a vida aqui fora estivesse difícil.
É preciso compreender o que o bebê tinha à sua disposição antes do nascimento, para saber como reproduzir as condições intrauterinas. O bebê no útero fica apertadinho, na posição fetal, envolvido por uma parede uterina morninha, sendo balançado para frente e para trás a maior parte do tempo. Ele também estava ouvindo constantemente um barulho “shhhh shhhh”, mais alto que o de um aspirador de pó (o coração e os intestinos da mãe).

A reprodução das condições do ambiente uterino leva a uma resposta neurológica profunda “o reflexo calmante”. Quando aplicados corretamente, os sons e sensações do útero têm um efeito tão poderoso que podem relaxar um bebê no meio de uma crise de choro.

Os 5 métodos para acalmar um bebê até 3 meses de idade são extremamente eficazes SOMENTE quando executados corretamente. Sem a técnica correta e o vigor necessário, não adiantam em nada.

1. Pacotinho ou casulo (embrulhar o bebê apertadinho)

A pele é o maior órgão do corpo humano e o toque é o mais calmante dos cinco sentidos. Embrulhadinho, o bebê recebe um carinho suave. Bebês alimentados, mas nunca tocados, freqüentemente adoecem e morrem. Estar embrulhadinho não é tão bom quanto estar no colo da mãe, mas é um ótimo substituto para quando a mãe não está por perto.

Bebês podem ser embrulhados assim que nascem. Apertadinhos, de forma que não mexam os braços. Eles se sentem confortáveis, “de volta ao útero”. Bebês mais agitados precisam mais de ser embrulhados, outros são tão calmos que não precisam.

Se o bebê tem dificuldade para pegar no sono, pode ser embrulhado apertadinho, não é seguro colocar um bebê para dormir com um cueiro solto. Não permita que o cueiro encoste no rosto do bebê. Se estiver encostando, o bebê vai virar o rosto procurando o peito, ao invés de relaxar.

Todos os bebês precisam de tempo para espreguiçar, tomar banho, ganhar uma massagem. 12-20 horas por dia embrulhadinho não é muito para um bebê que passava 24 horas por dia apertadinho no útero. Depois de 1 ou 2 meses, você pode reduzir o tempo, principalmente com bebês tranqüilos e calmos.

Fonte: Google
Fonte: Google

2. Posição de Lado

Quanto mais nervoso seu bebê estiver, pior ele fica quando colocado sobre as costas. Antes de nascer, seu bebê nunca ficou deitado de costas. Ele passava a maior parte do tempo na posição fetal: cabeça para baixo, coluna encolhida, joelhos contra a barriga. Até adultos, quando em perigo, inconscientemente escolhem esta posição.

Segurar o bebê de lado ou com a barriga tocando os braços do adulto ajuda a acalmá-lo (a cabeça fica na mão do adulto, o bumbum encostado na dobra do cotovelo do adulto, com braços e pernas livres, pendurados). Carregar o bebê num sling, com a coluna curvada, encolhidinho e virado de lado, tem o mesmo efeito. Atualmente especialistas são unânimes em dizer que bebês NÃO DEVEM SER POSTOS PARA DORMIR DE BRUÇOS, pelo risco de morte súbita.

O bebê não sente falta de ficar de cabeça para baixo, como no útero, porque na verdade o útero é cheio de fluido e o bebê flutua, como se não tivesse peso algum. Do lado de fora, sem poder flutuar, virado de cabeça para baixo, a pressão do sangue na cabeça é desconfortável.

3. Shhhh Shhhh – O som favorito do bebê

O som “shhh shhh” é parte de quem somos, tanto que até adultos acham o som das ondas do mar relaxante.

Para bebês novinhos, “shhh” é o som do silêncio. Ele estava acostumado a ouvir tal som 24 horas por dia, tão alto quanto um aspirador de pó. Imagine o choque de um bebê acostumado a tal som o tempo todo chegando a um mundo onde as pessoas cochicham e caminham na ponta dos pés, tentando fazer silêncio!

Coloque sua boca 10-20 cm de distância dos ouvidos do bebê e faça “shhh”, “shhh”. Aumente o volume do “shh” até ficar tão alto quanto o choro do bebê. Pode parecer rude tentar “calar” um bebê choroso fazendo “shh”, mas para o bebê, é o som do que lhe é familiar.

Na primeira vez fazendo “shhh”, seu bebê deve calar pós uns 2 minutos. Com a prática, você será capaz de acalmar o bebê em poucos segundos. É ótimo ensinar isso aos irmãos mais velhos, que adorarão poder ajudar e acalmar o bebê.

Para substituir o “shhh”, pode-se ligar:
– secador de cabelos ou aspirador de pó
– som de ventilador ou exaustor
– som de água corrente
– um CD com som de ondas do mar
– um brinquedo que tenha sons de batimentos cardíacos
– rádio fora de estação ou babá eletrônica fora de sintonia
– secadora de roupas ligada com uma bola de tênis dentro
– máquina de lavar louças

O barulho do carro ligado também acalma a criança.

4. Balanço

“A vida era tão rica no útero. Rica em sons e barulhos. Mas a maior parte era movimento. Movimento contínuo. Quando a mãe senta, levanta, caminha e vira o corpo – movimento, movimento, movimento.”
(Frederick Leboyer, Loving Hands)

Quando pensamos nos 5 sentidos – visão, audição, tato, paladar e olfato – geralmente esquecemos o sexto sentido. Não é intuição, mas a sensação de movimento no espaço.

Movimento rítmico ou balanço é uma forma poderosa de acalmar bebês (e adultos). Isso porque o balanço imita o movimento que o bebê sentia no útero materno e ativa as sensações de “movimento” dentro dos ouvidos, que por sua vez ativam o reflexo de acalmar.

Como balançar?

1. Carregando o bebê num “sling” ou canguru;
2. Dançando (movimentos de cima para baixo);
3. Colocando o bebê num balanço;
4. Dando tapinhas rítmicos no bumbum ou nas costas;
5. Colocando o bebê na rede;
6. Balançando numa cadeira de balanço;
7. Passeando de carro;
8. Colocando o bebê em cadeirinhas vibratórias (próprias para isso);
9. Sentando com o bebê numa bola inflável de ginástica e balançando de cima para baixo com ele no colo;
10. Caminhando bem rapidamente com o bebê no colo.

Quando balançar o bebê, seus movimentos devem rápidos mas curtos. A cabeça do bebê não fica sacudindo freneticamente. A cabeça move no máximo 2-5 cm de um lado para o outro. A cabeça está sempre alinhada com o corpo e não há perigo de o corpo mover-se numa direção e cabeça abruptamente ir na direção oposta.

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Luna Maria no sling

5. Sucção

No útero, o bebê está apertadinho, com as mãos sempre próximas ao rosto, sugando os dedos com freqüência. Quando nasce, não mais consegue levar as mãos à boca. A sucção não-nutritiva é outra forma de acalmar o bebê. A amamentação em livre demanda não é recomendada somente para garantir a nutrição do bebê e a produção de leite da mãe, mas também para suprir a necessidade de sucção não-nutritiva. Alguns especialistas orientam às mães a darem chupetas para isso, mas ainda que a chupeta seja oferecida ao bebê, não deve ser introduzida nas 6 primeiras semanas de vida, quando a amamentação ainda está sendo estabelecida. Há sempre o risco de haver confusão de bicos e o bebê sugar o seio incorretamente.

É importante lembrar que o bebê nunca chora à toa. O choro nos primeiros meses de vida é a única forma de comunicar que algo está errado. Ainda que ele esteja limpo e bem alimentado, muitas vezes chora por necessidade de aconchego e calor humano. Por isso, falar que bebê novinho (recém nascido até 3 meses ou mais) faz manha (no sentido de chorar para manipular “negativamente” os pais) não tem sentido. Bebês novinhos simplesmente não tem maturidade neurológica para tanto.”

Vale lembrar que estas técnicas devem ser aplicadas nesta ordem para sua eficácia. O Dr. Karp também enfatiza que os papais (isso mesmo!) são “experts” nesta técnica pois geralmente estão menos cansados e podem ter a calma necessária para sua execução. Além disso, este momento pode servir para fortalecer o vínculo afetivo entre pais e bebês. Mamães, que tal deixar os pais cuidarem um pouco do bebê e aproveitar para descansar um pouco, tomar um banho relaxante, fazer uma refeição com tranquilidade, heim?? Fica a dica! 😉

Alguns bebês podem mostrar-se incomodados com algum dos métodos, nestes casos a mãe não deve insistir. É possível perceber se o bebê está satisfeito através do choro, se o choro diminuir e ficar mais tranquilo, ok. Senão, tente em outro momento.

Seguem alguns vídeos e explicativos do método:
http://www.youtube.com/watch?v=n7m7iWdXypY
http://www.youtube.com/watch?v=-Y2cKqiQUGI

Bibliografia: The Happiest Baby on The Block, Dr. Harvey Karp, Bantam Dell, 2002. New York.

Texto traduzido por Flavia O. Mandic originalmente publicado na comunidade “Soluções para noites sem choro“.

Relato de Parto – Mamãe Giovanna e bebê Ester

Dedico este relato à minha filha querida, que fez surgir em mim uma pessoa mais forte, confiante, segura e feliz. Te amo, feliz aniversário!

No dia 19/03/2013, uma terça-feira, sassariquei um monte. Fui para Suzano conversar com meu chefe. Almocei com o pessoal e fiquei de voltar no dia seguinte, às 14:00, para uma reunião. De lá, segui para Ribeirão Pires, me encontrei com uma amiga e voltei para São Paulo, de trem e metrô mesmo. Em casa, jantei com quatro amigos queridos. Às 23h00, mais ou menos, senti uma coisinha. Umas contrações diferentes das que eu já tinha experimentado. Pensei “huumm” e falei para o Allan que estava rolando algo no ar. Fui dormir e descansei bastante. Quando o Allan se levantou para trabalhar no dia 20/03, comecei a sentir contrações. Eram aproximadamente 7h30. Logo comecei a contar e estavam de 8/8 min. Consegui dormir mais um pouquinho, mas elas continuaram e foram reduzindo o intervalo.

Fiquei lendo sobre formas de aliviar a dor das contrações o dia todo, e tentando fazer.

Almocei arroz, feijão, bife, ovo, banana e batata fritas, o famoso Especial da Casa do Bar do Zé. Queria muita energia para continuar o dia. Em seguida, umas 14h30, falei para o Allan ir dormir, porque imaginava que a noite seria longa. E cadê o tal do tampão? Nem sinal dele! Tomei banho, tentei descansar, arrumei algumas coisas da mala que levaria à casa de parto… Voltei a contar, as contrações estavam de 5/5 min às 16:30. Liguei então pra Casa Angela, e a Camila, parteira muito querida, disse para eu me preparar e ir pra lá COM CALMA pra elas avaliarem. O Allan, com sua calma (lerdeza), foi tomar banho, fazer a barba (!!!)… Aproveitamos e tiramos algumas fotos, como despedida da barriga.

Saímos de casa umas 18h e peguei a Marginal Pinheiros em horário de pico. No caminho, liguei para a minha mãe, avisando que estaria num happy-hour e que talvez não atenderia o telefone. Liguei também para minha querida amiga Nataska, parceira de todas as horas e fotógrafa do parto. O Allan, love of my life, parou ainda pra comprar uma coca no posto. Só tinham cinco pessoas na frente dele na fila, só não o matei porque não conseguia. Quando estávamos quase chegando, com o carro parado no trânsito, eu tirei o cinto e fiquei de quatro, tentando aliviar a dor, mas mal sabia o que me esperava.

Chegamos lá às 19:15, fui recebida pela querida parteira Fran. Ela me avaliou e viu que eu estava com QUATRO cm. Fizeram cardiotoco e viram os batimentos, tudo ok. Líquido claro, o Allan viu os cabelinhos da Ester, que ainda não tinha nome.

Falando com a Nataska. “Vai demorar, te ligo mais tarde!”
Falando com a Nataska. “Vai demorar, te ligo mais tarde!” Fonte

Aí fiquei por lá, curtindo o trabalho de parto. Não fiquei muito na bola, mas usei muito a banheira. Me ofereceram brigadeiro, não quis. Aliás, vomitei todo o almoço e mais um pouco… Não me mexi muito, mas fiquei bem à vontade. As contrações doeram o esperado, ou seja, pra caramba. Eu tentava aliviar a dor na banheira, me mexendo, fazendo uns sons. A Rose também me ajudou muito, fazendo massagens deliciosas!

Mutcho loca na banheira.
Mutcho loca na banheira. Fonte

A Nataska chegou lá pela 1:30, para fazer as fotos. Sabia que ela era a pessoa certa, que teria confiança em mim e me deixaria à vontade. Logo em seguida, a moça que estava na sala ao lado teve que ser transferida para o hospital. A Fran foi me avisar que sairia mas a Dal estava chegando. Quando a Dal chegou, eu pedi para ela ver os batimentos do bebê, porque pensei “como vou saber que ela está bem?”.

Estava tudo ok mesmo, como esperado. Quando era umas 3h30 do dia 21, eu disse que queria no banheiro, aliás, eu achava que queria fazer xixi, mas ele não saía (até pensei na hora que estava com infecção urinária, tolinha). Notem que a minha bolsa não rompeu e o tampão só saiu na banheira. Nem vi.

  "Ai, gente, minhajuda!!!"
“Ai, gente, minhajuda!!!” Fonte

A Fran já tinha voltado do hospital. Enfim a Dal me convenceu a sair da banheira para ir ao banheiro, mais pra dar uma caminhadinha. No vaso eu me encontrei, senti a cabecinha da Ester e não queria mais sair da posição, até que resolveram me chamar pra voltar pra sala de parto. Caminhei de volta para a sala de parto e eu senti que ela estava vindo. A banheira estava com a água fria, demoraria muito para encher, então pedi pra ser no banquinho. Elas aprontaram tudo e lá fui eu curtir a força que o meu corpo estava fazendo. O Allan ficou na cadeira me apoiando por trás. As contrações pararam um pouco, mas foram suficientes. Durante todo o expulsivo, a Fran segurou a minha mão. Muito carinho e apoio! Espero não ter machucado sua mão!

A cabeça da Ester saiu, mas o resto do corpinho não, então a Dal e a Fran fizeram uma manobra (ai!) pra virar o corpinho. Foi apenas nessa hora que eu tive laceração. Às 4h07 da manhã ela nasceu, super bem, com um chorinho sentido, lindo!

“Caramba, você chegou!”
“Caramba, você chegou!” Fonte

Logo veio pro meu colo. Quentinha, gosmenta, cheirosa…

 “Seja bem-vinda!”
“Seja bem-vinda!” Fonte

Uns dois minutos depois, senti a placenta vindo. Ela escorregou bonitona. As meninas perguntaram se eu queria guardá-la, eu disse que não e a ofereci à Nataska. Perguntei também se alguém da nossa turma da faculdade iria querer. Pois é, eu também não sei o que ela ou qualquer outro amigo faria com essa placenta, mas enfim, vai que, né?

 “Prazer, sou a placenta!”
“Prazer, sou a placenta!” Fonte

O Allan cortou o cordão assim que ele parou de pulsar, logo que a placenta saiu.

"Que tesoura enooorme."
“Que tesoura enooorme.” Fonte

Enquanto eu fui pra cama para darem os pontos, ela foi pesada, medida e vestida. 3,570 kg e 47 cm.

"Fortinha, né?"
“Fortinha, né?” Fonte

Logo ela voltou pros meus braços e mamou enquanto a Dal dava os pontos. Decidimos, então, que se nome seria mesmo Ester.

“Cadê meu Tetê??”
“Cadê meu Tetê??” Fonte

Nessa hora, abriu um buraco do tamanho do mundo na minha barriga. O enjoo passou na hora e eu queria comer cinco elefantes. Recebi suco, salada de frutas e canja! Oba! Que comida maravilhosa, a da Casa Angela.

Logo fomos os três para o outro quarto, onde ficamos. A Ester em seu bercinho, ao meu lado, o tempo todo. E do meu lado ela nunca mais saiu, até completar seis meses, quando eu voltei a trabalhar. Finalmente, às 7h30, avisamos nossos pais que a Ester havia chegado e receberíamos visitas a partir das 13h00. Ela acordou umas três vezes, as meninas da Casa Angela me ajudavam a pegá-la e amamentar. Mamou tão bem que tivemos alta com apenas 100g a menos que o peso de nascimento e três dias depois ela já tinha recuperado o peso do nascimento.

Saindo da barriga, o papai já começou a cuidar. Trocou fraldinha com mecônio e deu o segundo banho!

   Com a habilidade de agir sob pressão.
Com a habilidade de agir sob pressão. Fonte

Agradeço a todas que disponibilizaram informação, às que lutam, à Casa Angela, enfim, a todxs que me ajudaram a parir dignamente, com respeito, carinho, tranquilidade e amor. Gratidão à Francielle Matos, que me apresentou a Casa Angela. Agradeço também à minha querida amiga Nataska, que foi uma perfeita fotógrafa de parto. Confiante e discreta.

Meu parto veio com um pacote e eu tenho certeza de que o caminho que temos seguido é o certo para nós. A Esterzinha está aí esbanjando confiança, saúde e alegria. Tenho certeza de que o modelo de assistência da Casa Angela é o melhor a ser seguido. A minha maior alegria era ter confiança plena na equipe, assim eu tinha certeza de que seria bem atendida, com carinho e honestidade. Mesmo que fosse uma cesariana, eu saberia que era realmente necessária.

Agradeço à minha família, especialmente minha mãe, que começou desconfiada e depois de tempestades de informações e uma visita à Casa Angela me apoiou por completo.

Agradeço especialmente ao Allan, que sempre esteve ao meu lado nessa jornada, acreditou em mim e me apoiou em todos os momentos. Hoje em dia ele sabe o que é mecônio, dilatação, episiotomia, colírio de nitrato de prata, doula e outras cositas más. O susto foi grande, mas abraçamos com tudo o pacote família.

Fica aqui meu relato como homenagem às outras mães que também relataram seus partos, sendo eles normais, naturais, humanizados, cesáreas necessárias e desnecessárias. O meu parto é o que eu desejo a todas as mulheres!

Mamãe orgulhosa.
Mamãe orgulhosa. Fonte

São Paulo, 20/03/2014

(Sim, quase um ano depois)

*Este relato foi retirado do blog Partiu Parto com a permissão da Giovanna (autora do relato e criadora do blog), quem se interessar em ler mais relatos de parto é só visitar o site! 😉

Fraldas de Pano Modernas – Uma prática de consumo ecológica, econômica e saudável

Fonte: google
Fonte: Google

Meu primeiro contato com as fraldas de pano moderna foi ainda na faculdade enquanto cursava a engenharia florestal. Bem, na verdade, o primeiro contato não foi propriamente com as fraldas de pano, e sim com absorventes de pano. Uma amiga que morava comigo na época utilizava absorventes de pano e me apresentou a este universo de produtos ecológicos e sustentáveis. A irmã dela tem uma empresa chamada Mamãe Natureza localizada em Ubatuba/SP onde confeccionam produtos ecológicos e geram renda para as mulheres da comunidade local (super legal!). Assim, passei a utilizar os absorventes de pano e conheci as fraldas de pano modernas que além de ecológicas, são econômicas, saudáveis e lindas!! (Gratidão imensa a Dani que foi quem me apresentou a este universo.) Me lembro que pensei: “Nossa que fantástico!! Quando eu tiver meu bebê ele vai utilizar fraldas de pano modernas!”.

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Alguns anos depois, cá estou eu compartilhando minha experiência com as tais fraldas de pano modernas que eu amo!!

Bem, desde o princípio minha intenção era criar a Luna Maria da maneira mais simples possível. E a prática de uma criação baseada na simplicidade já se iniciava com o preparo do enxoval dela, bem minimalista, sem exageros ou excesso de supérfulos (e olha que teve muita coisa que doei sem nunca ter usado, heim!).  Pensando nisso, as fraldas de pano caíram como uma luva no meu propósito.

Muitos amigos, familiares e, é claro, os pitaqueiros de plantão acharam um retrocesso minha decisão de usar fraldas de pano. As pessoas deviam pensar: “mas por que cargas d’água alguém pode querer usar fraldas de pano do  tempo da minha avó que não são nada práticas?” ou “ela está pensando que vai ser moleza…vamos ver quanto tempo ela vai aguentar sustentar essa ideia de jerico…”. Mas acredito que muitos nem sabiam do que estavam falando, até porque no meu chá de fraldas eu pedi que as pessoas comprassem fraldas de pano (indiquei o site onde poderiam comprar) e muitas compraram ou fraldas descartáveis ou aquelas fraldas de pano antigas (que me foram bastante úteis, mas para outros fins…rs). Enfim, concluí que o preconceito era totalmente infundado pois a maioria não conhecia as fraldas de pano modernas e, na verdade, retrógrado era o conceito que eles tinham de fraldas de pano.

Assim, durante a gestação comecei a pesquisar sobre as fraldas de pano modernas e descobri que existe uma variedade enorme de fraldas, fabricantes, tamanhos, recheios, tecidos, modelos, tantas coisas! Vi que muita coisa mudou desde “os tempos da vovó”, que aliás, foi meu tempo também, pois eu usei fraldas de pano. Acontece que as fraldas evoluíram bastante com o passar dos anos, então todo aquele discurso sobre como as fraldas dão trabalho, já não cabe mais. Hoje em dia temos máquinas de lavar super eficientes, secadoras, tecidos que secam mais rápido e mancham menos, tecidos que absorvem mais, entre outros. Enfim, uma infinidade de opções da vida moderna que podem facilitar, e muito, o uso das fraldas de pano.

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Além do mais, as fraldas são super lindas e com uma infinidade de opções de estampas uma mais adorável que a outra! Elas são muito mais confortáveis para o bebê, não provocam assaduras ou dermatites e são mais sustentáveis para o meio ambiente! Quer coisa melhor?? Tá bomm!! Tem mais vantagens!! Do ponto de vista financeiro, o investimento inicial pode parecer um pouco alto mas se formos pensar a longo prazo o gasto seria dobrado com as fraldas descartáveis. Além disso, há a economia com as pomadas para assadura usadas rotineiramente com as fraldas descartáveis. Pode-se dizer que temos uma economia de quase 100% e de quebra ainda poupamos o meio ambiente diminuindo a produção de lixo.

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Fralda de Pano x Fraldas Descartáveis. Fonte: Google
Comecei a utilizar as fraldas de pano no segundo mês de vida da Luna Maria por alguns motivos pessoais.
Primeiro motivo: eu fiz o resguardo direitinho e fiquei 40 dias de molho só cuidando da pimpolha e descansando, portanto, nada de limpar a casa, fazer comida, lavar a roupa e etc. Esses afazeres domésticos ficaram por conta da minha mãe (gratidão eterna!), el maridon (obrigada, meu amor) e do meu pai (obrigada, pai!) que ficou responsável pela minha alimentação. Viu como sou abençoada, gente? Assim, achei melhor não sobrecarregá-los ainda mais com mais uma novidade que seriam as fraldas de pano, já que eu não poderia ajudar neste quesito.
Segundo motivo: foi o fato de eu ter comprado somente fraldas de pano tamanho único e que ficaram muito grandes na Luna Maria quando era recém- nascida (vai a dica: comprem fraldas tamanho P ou RN se quiserem usar as fraldas de pano desde o primeiro dia!). Eu até ganhei uma de recém-nascido, mas só uma não dá pro gasto…
Terceiro motivo: achei que seria muita coisa para assimilar de uma vez, muita novidade, entende? Adaptação com o bebê, troca de fraldas, amamentação, visitas, noites mal dormidas, etc.
Por tudo isso, decidi que ela só iniciaria o uso de fraldas de pano no segundo mês de vida.
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Nos adaptamos muito bem às fraldas de pano, no entanto, durante a noite elas não estavam segurando o xixi e eu tinha que trocar pelo menos uma vez na madrugada. Porém, o que pegou mesmo foi o fato da Luna Maria não acordar durante a noite e, assim, eu estava tendo que acordá-la para trocar a fralda de pano, o que se tornou bem inconveniente. Algumas vezes até conseguia trocá-la sem acordar, mas me sentia péssima quando ela acordava sem querer porque eu estava trocando a fralda. Foi então que decidimos utilizar as fraldas descartáveis somente para dormir. Ufa! Foi perfeito! Ela dormia a noite toda sem precisar de trocas de fralda. Fico pensando que se eu tivesse pesquisado mais ou testado outras marcas e modelos talvez eu encontrasse alguma que suprisse a minha necessidade, mas foi o que deu para fazer diante da minha realidade naquele momento. Durante viagens eu também costumo utilizar as fraldas descartáveis, pois a praticidade delas é inegável, né gente?!
Assim, fomos seguindo com as fraldas de pano e, um ano e dois meses depois, ainda estamos utilizando as mesmas fraldas! Luna Maria nunca teve assaduras e usa muito pouco uma pomada de calêndula da Weleda (super indico), tão pouco que um tubo chega a durar 3 meses ou mais!
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 Muita gente pensa que só é possível usar as fraldas de pano quem tem muito tempo livre e eu posso afirmar que isso não é verdade. Costumamos trocar a Luna a cada 2-3 horas ou toda vez que ela faz cocô. Mantemos um balde na área de serviço e passo o dia jogando as fraldas lá dentro e deixo acumular por dois dias, depois eu as jogamos na máquina de lavar e secar. Só isso. Elas saem da máquina prontinhas para usar novamente! Para quem não tem máquina de secar é só pendurar depois de lavar. Lembrando que o cocô deve ser jogado na privada!
Fonte: Google
Fonte: Google
 Deixo aqui alguns esclarecimentos e dicas básicas para os usuários iniciantes ou futuros usuários das fraldas de pano moderna:
  1. As fraldas de pano podem ser lavadas junto com as roupinhas do bebê, não sendo necessária uma lavagem exclusiva para elas.
  2. Utilize muito pouco sabão neutro ou de coco nas lavagens das fraldas (1/3 do que utilizaria numa lavagem comum).
  3. É indicado que as fraldas de pano sejam lavadas pelo menos 2 a 3 vezes antes do uso  para alcançarem todo o seu poder de absorção.
  4. Não precisa passar com ferro.
  5. Secam rápido.
  6. Não precisam ficar de molho, mas uma vez ou outra as de coco podem ser deixadas de molho num balde com vinagre ou bicarbonato de sódio para tirar manchas e odores.
  7. O coco deve ser jogado na privada. E os resíduos retirado com água corrente. Para facilitar o uso a Dipano vende um forrinho biodegradável, que nada mais é que um paninho colocado por cima do absorvente que facilita na hora de jogar o coco no vaso. Por se biodegradável, pode ser descartado juntamente na privada.
  8. Em bebês mais novos o coco é muito mole, por isso provavelmente você tenha que trocar também a capa quando fizer.
  9. As fraldas podem ser do tipo: pockets (com bolso interno) ou capas (sem bolso interno).
  10. As fraldas podem ter tamanho único (ajustáveis) ou P, M, G.
  11. As fraldas podem ter fechamento por velcro ou por botões caseados.
  12. Existem vários tipos de absorventes: microfibra, carvão, algodão, flanela, com camada seca, com 3 camadas, com 4 camadas, etc.
  13. As fraldas podem ser inteiramente trocadas, no caso das pockets (bolso interno) ou somente o absorvente se você as utilizar como capas.
  14. Não é necessário utilizar pomadas para evitar assaduras pois o risco de acontecer é bem pequeno. Ocasionalmente, poderão ocorrer assaduras em função de períodos de dentição, transição para ingestão de alimentos sólidos, uso de medicações que podem diminuir a defesa contra infecções por bactérias e fungos, etc. Nesses períodos mais difíceis de controlar as assaduras, troque a fralda de pano com maior frequência e deixe o bebê tomar um pouco de sol no local da assadura, mas sempre até as 10h da manhã ou após as 16hs da tarde. Caso seja necessário, sugiro a pomada de calêndula da Weleda compra na internet.
Pomada de calêndula da Weleda
Pomada de calêndula da Weleda. Fonte: Loja Virtual Weleda
Sugiro que quem se interessar pelo assunto, antes de mais nada pesquise um pouco sobre os tipos de modelos e marcas que existem,  e se informe sobre o funcionamento das fraldas (como usar, quantidade, lavagem, secagem). As compras são feitas em lojas virtuais visto que ainda não existem lojas físicas (pelo menos, eu não tenho conhecimento de nenhuma). Já estão disponíveis na internet vários sites que vendem esse tipo de fralda. Eu comprei de diversas marcas e modelos para experimentar. Logo logo farei um post sobre as minhas conclusões e preferências! Aguardem!
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Gente,  vou terminando por aqui, pois esse assunto de fralda de pano é muito extenso, afinal é um universo de possibilidades, por isso merece outros posts sobre o assunto.
Até breve! 🙂

O último tabu – de Carlos González

Hoje trago para vocês mais um texto inspirador retirado do livro Bésame Mucho, do pediatra espanhol Carlos González e traduzido por Clarissa, autora do Blog A Mãe Que Quero Ser. O texto trata de alguns tabus relacionados à criação dos filhos na sociedade atual.

Boa leitura!

Imagem: Google

O último tabu

A nossa sociedade aparenta ser muito tolerante porque tanta coisa que era proibida há 100 anos hoje é considerada completamente normal. E, no entanto, se analisarmos mais a fundo, veremos que existem coisas que há 100 anos eram normais e que hoje são proibidas. Tão completamente proibidas que até nos parecem normais; tão normais quanto as proibições e os tabus de nossos bisavós lhes pareciam ser.

[…] Nossa sociedade, que é bastante tolerante em alguns aspectos, é menos tolerante quando se trata de crianças e mães. Esses tabus modernos podem ser classificados em três grupos:

  • Relativos ao choro: é proibido dar atenção às crianças, colocá-las nos colo ou lhes dar o que desejam quando estão chorando.
  • Relativos ao sono: é proibido deixar as crianças adormecerem em seus braços ou enquanto mamam, ninar ou embalar os bebês para que caiam no sono, dormir com eles na mesma cama.
  • Relativos à amamentação: é proibido amamentá-los no lugar ou na hora que for, ou amamentar uma criança que “passou da idade”.

Quase todos esses tabus têm um elemento em comum: eles proíbem contato físico entre mãe e filho. Por outro lado, todas as atividades que tendem a reduzir o contato físico e aumentar a distância entre mãe e filho são amplamente recomendadas:

  • Deixar a criança sozinha no quarto.
  • Transportá-la num carrinho de bebê ou bebê conforto.
  • Colocá-la na creche o mais cedo possível, ou deixá-la aos cuidados dos avós ou, melhor ainda, de uma babá (as avós “estragam” as crianças!).
  • Mandá-la para uma colônia de férias tão logo seja possível e pelo máximo de tempo possível.
  • Reservar “um tempo a sós” com o cônjuge, sair sem as crianças, curtir a vida “de casal”.

Embora algumas pessoas tentem justificar tais recomendações, insistindo que são para “ajudar as mães a descansarem”, o fato é que não proíbem atividades cansativas. Ninguém diz: “não passe muito tempo arrumando a casa ou seu marido ficará mal acostumado com uma casa limpa” ou “você acabará tendo que lavar suas roupas quando ele sair de casa”. Na verdade, é geralmente a parte mais prazerosa da maternidade que é proibida: deixar seu filho adormecer em seus braços, niná-lo, curtir a sua companhia.

Talvez seja por isso que criar filhos é tão desagradável para algumas mulheres. Requer menos trabalho do que antes (temos água corrente, máquina de lavar, fraldas descartáveis…), porém há menos recompensas. Numa situação normal, em que a mãe está livre para cuidar do filho como ela bem entender, o bebê chora pouco e, quando o faz, é doloroso para a mãe, e ela sente compaixão (“Coitadinho, o que houve?”). No entanto, quando a proíbem de pegá-lo no colo, dormir com ele, oferecer o peito ou consolá-lo, o bebê chora ainda mais, e a mãe fica impotente diante desse choro, e sua reação se torna zangada ou agressiva (“O que foi dessa vez!”).

Todos esses tabus e preconceitos fazem as crianças chorarem, mas também não fazem seus pais mais felizes. Então a quem eles agradam? Talvez aos pediatras, psicólogos, pedagogos e vizinhos que os recomendam? Eles não têm direito de lhe dizer o que fazer ou como viver sua vida ou como tratar seu filho.

Famílias demais sacrificaram a própria felicidade bem como a felicidade de seus filhos no altar de alguns preconceitos infundados.

O objetivo deste livro é derrubar mitos, quebrar tabus, e oferecer a toda mãe a liberdade para desfrutar da maternidade da maneira que deseja.

Esse autor não é demais, minha gente??

Pois então, que tal refletirmos um pouco sobre o assunto abordado no texto?

Porque ignorar a necessidade básica e primordial de toda criança que é o contato corporal e emocional permanente com outro ser humano?

Porque ignorar o instinto materno/paterno de proteger e mimar (com amor) nossos filhos?

Contrapondo os tabus expostos por Carlos González no texto acima,  fiz uma lista com cinco dicas práticas que podem auxiliar pais e filhos no fortalecimento do vínculo afetivo:

  1. Dormir no mesmo cômodo que a criança ou até mesmo na mesma cama (cama compartilhada);
  2. Utilizar slings ou carregadores para transportar a criança, promovendo contato físico e afetivo por mais tempo;
  3. Amamentar em livre demanda levando em consideração as necessidades do bebê de nutrição, conforto e afeto;
  4. Dar bastante colo suprindo as necessidades de contato físico e afeto do bebê;
  5. Incluir a criança nas tarefas do dia-a-dia, em passeios, viagens, etc.

Além das dicas e, antes de mais nada, siga sua intuição, seu coração! Acredite, ninguém pode saber melhor como cuidar de sua cria do que você!

Até o próximo post!

 

Diga-me com quem dormes e eu te direi…

Foto: janellewoo.com
Foto: janellewoo.com

Um assunto bastante controverso e que divide opiniões é a tal da cama compartilhada. Confesso que até acho engraçada essa mania que o povo tem de opinar em tudo, até na forma como dormimos! Considero uma decisão muito pessoal a escolha de onde, como e com quem dormimos, e isso se estende também aos nossos filhos até que eles cresçam e tenham autonomia suficiente para decidir sobre essas questões. Devemos tomar cuidado com conselhos e opiniões de livros, artigos, pediatras, familiares ou amigos que dizem que “tem que ser ou fazer assim ou assado, pois esse é o único jeito certo”. Lembrem-se de que cabe única e exclusivamente aos pais (em negrito) responder à questão “Aonde meu bebê deve dormir?”, entre tantas outras questões acerca da maternidade e/ou paternidade. Porque venhamos e convenhamos, não existem regras universais de como criar um filho! Cada família tem uma realidade diferente e, o que serve para uma pode não servir para outra. A convicção da família sobre esta escolha deveria ser suficiente para legitimar tal decisão. Portanto, ouçam seus instintos maternais e paternais, pois com certeza eles valem mais do que mil conselhos!

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Enfim, então vamos falar deste tema polêmico e alvo de tantas críticas!

Na sociedade moderna atual existe uma cultura arraigada, especialmente aqui no ocidente, de proporcionar o afastamento físico entre mãe e bebê, e isso já começa desde o nascimento quando o bebê é separado da mãe na primeira hora de vida dentro das maternidades. E essa “tradição” se perpetua quando a mãe volta para casa e  o bebê tem que dormir no berço em quarto separado dos pais, quando falam pra mãe que o bebê vai ficar mimado se der no colo demais, quando falam que o choro do bebê não deve ser atendido prontamente, etc, etc, etc. Nessa sociedade moderna onde os valores materiais são maiores que os valores afetivos, a ideia de se criar bebês independentes  tomou força por causa da inserção da mulher no mercado de trabalho e dos movimentos feministas. Assim, criou-se a ideia de que bebês que tem o seu choro atendido prontamente, que recebem proteção e são supridos em sua necessidade de contato físico e afeto, ficam dependentes dos pais. Porém, o que ficou esquecido é que bebês não se tornam dependentes, eles são dependentes!

Imagina um bebê que acabou de sair de um lugar escurinho, quentinho, apertadinho, embalado pelos passos ritmados e movimentos da mãe e, cuja trilha sonora era o som do útero e dos batimentos cardíacos materno… Agora imagina este mesmo bebê num local desconhecido, frio, espaçoso demais para ele, silencioso, tranqüilo e sozinho. O bebê interpreta seu próprio quarto como um sinal de que foi abandonado, de que está sozinho num lugar totalmente estranho a ele. Quando deixamos nosso bebês sozinhos esquecemos das suas necessidades básicas de proximidade e afeto.

“A noite é um abismo longo e escuro para os bebês terem que atravessar sozinhos”

Laura Gutman

É comum ver mães exaustas porque ficam a noite toda num ciclo interminável onde: bebê chora –> pais acordam e vão até o quarto do bebê –> atendem as necessidades do bebê (mamar, arrotar e trocar fralda) –>colocam o bebê para dormir –> voltam para seu quarto; e o ciclo recomeça de novo, e de novo, e de novo, e assim vai pela madrugada adentro. Também ouço relatos de pais que se desesperam porque o bebê só dorme bem quando está no colo e se colocado no seu berço, chora como se isso fosse uma tortura para eles. E há ainda aqueles pais tentam acostumar o bebê a dormir sozinho desde cedo para torná-lo “independente” (loucura, não??!!). Alguns métodos utilizados para “treinar” o sono do bebê ensinam os pais a ignorar seu choro a fim de “vencer” a reação natural da criança que chora quando deixada sozinha, o que acaba criando uma situação que afeta de forma negativa tanto a qualidade do sono quanto vínculo afetivo entre pais e bebês.

É necessário alertar que raramente um bebê adormece sozinho e dorme a noite toda desde o princípio, muitos necessitam de contato físico e emocional durante a noite. Será que não vale a pena refletir porque o bebê não gosta de dormir no berço sozinho? A melhor forma de lidar com o sono do bebê nas primeiras semanas de vida é oferecendo-lhe um ambiente que lhe é agradável. E o que pode ser mais agradável para um bebê recém-nascido do que contato direto com sua mãe? Nada, né, gente?! Para o bebê não existe local mais seguro, confortável e agradável do que o colinho e o peitão da mamãe!!

Muitos pais que seguem as teorias da Extero-Gestação e da Criação com Apego optam por dormir junto de seus bebês colocando-os em suas próprias camas ou em anexos acoplados à ela. Essa prática é comumente chamada cama compartilhada ou “co-sleeping” e os casais que optam por ela devem se informar a respeito de alguns cuidados (nada demais, apenas o mínimo de bom senso) antes de colocá-la em prática.

Existem estudos que condenam esta prática afirmando que o risco de morte súbita nos recém nascidos é maior quando estes compartilham a cama com seus pais. No Blog cientista que virou mãe foi publicada uma análise, feita por Tracy Cassels, do artigo científico que associa a cama compartilhada à síndrome de morte súbita em recém nascidos, que questiona suas conclusões, visto que vários dados usados no estudo são inconclusivos, bem como houve uma confusão nos critérios utilizados para definir o que é a cama compartilhada e quais seus riscos. Por outro lado, muitos estudos  científicos comprovam os benefícios da cama compartilhada para os pais e para os bebês. Pesquisadores do Departamento de Neurologia da Universidade da California publicaram um artigo concluindo que prática de cama compartilhada diminui os riscos da morte súbita do recém nascido, pois qualquer alteração em seu sono será percebida pela mãe e socorrida prontamente. Além disso, o estudo também comprova a  melhora da qualidade do sono dos bebês diminuindo o número de vezes que acordam à noite.

Os benefícios da cama compartilhada, tanto para a criança quanto para o adulto, são comprovados não só através de estudos científicos, mas  também por meio de experiências empíricas sendo praticada por muitas famílias em diferentes culturas.  Cada vez mais casais vem optando por dormir junto de seus filhos e, assim, terem noites de sono mais tranquilas.

Estudos à parte, o que importa é a decisão pessoal de cada família de acordo com a sua realidade. Não existem regras nem normas quando o assunto diz respeito à vida de uma família. Cada uma precisa encontrar o que é melhor para si, confiando em seu instinto, ouvindo seu coração e seguindo aquilo satisfaz as suas necessidades sempre com amor e respeito.

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Aqui em casa não foi diferente! Praticamos a cama compartilhada desde que Luna Maria chegou ao mundo. Hoje, um ano e um mês depois, ainda dormimos com a nossa pimpolha, mas agora nós migramos para o quarto dela, juntamos dois colchões de solteiro e fizemos um camão no chão. É uma delícia acordar junto dos meus amores todos os dias! Além disso, é claro, os motivos que me levaram à tal escolha foram a busca por segurança, proximidade física e emocional da minha cria durante a noite  e, a praticidade e comodidade de não precisar levantar da cama facilitando os cuidados com o bebê e, especialmente, a amamentação. A Luna Maria nem se quer abre os olhos! Quando ela dá aquela resmungada eu já coloco os “super peitões” para fora, ela dá uma mamadinha express e volta a dormir. Não tem erro!! Assim, o sono da família permanece minimamente preservado (totalmente é “impossible”!!).

Todo bebê apresenta ciclos de sono onde há pequenos despertares durante a noite. Assim, é super normal que os bebês despertem nas fases de sono leve. Alguns bebês conseguem voltar a dormir sozinhos, assim dizemos que “dormem bem”, mas a maior parte deles precisa de ajuda para voltar a dormir. A Luna Maria quase nunca precisou ser embalada no meio da noite nos primeiros meses pois não acordava muito durante a madrugada. Depois de alguns meses (após os 7 meses) as coisas mudaram um pouquinho e ela começou a despertar mais vezes durante a noite para mamar. No entanto, isso não foi um problema, pois com a prática da cama compartilhada ela nem chegava a acordar e já estava sendo amamentada. Tudo  fluiu de forma muito natural.

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Lembro que nos primeiros dias de vida de Luna Maria coloquei ela para dormir no moisés ao lado da minha cama. Eu acordava de 10 em 10 minutos para ver se ela estava respirando. Sabia até o ritmo da respiração dela e quando ele mudava eu ia dar uma checada para ver se estava tudo bem. Que nóia!!! Quando decidi colocá-la para dormir na nossa cama confesso que foi um alívio para mim sentir a respiração dela tão de pertinho. Não existe sensação melhor do que acordar e ver aquele serzinho de luz todo descabelado e com um sorriso de orelha a orelha olhando para você! Ainda tem os carinhos que ela me faz durante a noite e as surpresinhas pela manhã, como ser acordada com um dedinho lindo e fofo cutucando meu olho!! Hoje em dia rola até beijinho de bom dia!! Aimmm!! Morro de amores e satisfação em ver minha cria crescendo feliz e se sentindo plenamente amada e protegida.

Bem, com a gente a cama compartilhada tem dado certo até o presente momento em que escrevo este post. Amanhã… Só Deus sabe, minha gente!

Cama compartilhada (Fonte: google)

 

Segue alguns benefícios da prática da cama compartilhada:

  • Ela facilita o aleitamento materno e sincroniza o sono dos dois *1,2,3,4,5
  • Quando feita com os cuidados necessários diminui a incidência da síndrome de morte subida do recém-nascido *2,3,4
  • A mãe não precisa se levantar para amamentar, nem mesmo acordar completamente para amamentar, conseguindo descansar mais *4,5
  • Estudos mostram que crianças que dormem com os pais são mais autoconfiantes e tem maior autonomia do que as crianças que não o fazem *4
  • Intensifica os vínculos afetivos com os pais *4,5
  • Os bebês choram menos *4,5
  • Os bebês estão mais protegidos, pois caso precisem de socorro, os pais percebem com maior rapidez *2,3,4,5

Quais os cuidados básicos que se deve ter para compartilhar a cama?

  • Não utilizar colchas ou edredons pesados
  • Não utilizar muitos travesseiros na cama
  • Não dormir alcoolizado ou sob efeito de outras drogas ou remédios controlados
  • Colocar o bebê para dormir entre a mãe e a parede

Livros recomendados:

  • William, Robert, James e Martha Sears, The baby sleep book. Little Brown and Company, Time Warner Book Group (2005).
  • Elizabeth Pantley, Soluções para noites sem choro. Editora Mbooks (2002).
  • Harvey Karp, O bebê mais feliz do pedaço. Editora Planeta do Brasil (2004).
  • Margot Sunderland, The science of parenting. DK Publishing Inc. (2006).
  • Hetty van de rijt, Frans Plooij. Oje, ich wachse. Goldmann Publisher (1998).
  • Sleeping with Your Baby: A Parent’s Guide to Cosleeping. James J. McKenna. Platypus Media (2007)

Fontes consultadas:

¹MOTTA, Danielle.  Um bebê na cama dos pais. Revista Eletrônica Polêmica. Disponível em http://www.polemica.uerj.br/pol22/cquestoesc/artigos/contemp_4.pdf

²SENA, Ligia. Cama compartilhada: por que é bom e seguro? Disponível em http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2012/03/cama-compartilhada-por-que-e-bom-e.html

³ http://www.attachmentparenting.org/infantsleepsafety/

http://www.slingando.com/index.php/compartilhar-a-cama-com-o-bebe.html

http://www3.nd.edu/~jmckenn1/lab/advantages.html

http://www.cosleeping.org/

https://pt-br.facebook.com/…camacompartilhada/301069299917486

http://pediatrics.aappublications.org/content/100/5/841.short

Patriarcado e repressão sexual

Esses dias li um texto excelente e gostaria de compartilhar com vocês. Ele traz reflexões sobre a influência do patriarcado e da repressão sexual em nossas vidas. O texto é de Laura Gutman, terapeuta familiar e criadora da metodologia de construção da biografia humana, escreveu livros sobre maternidade, paternidade, vínculos afetivos, desamparo emocional e violência.

Segue abaixo o trecho retirado do livro “O poder do discurso materno” de sua autoria. Espero que gostem! Boa leitura!!

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O pensamento sobre a condição humana normalmente é tingido pela nossa cultura, ou seja, é subjetivo, pois ninguém pode olhar de fora do caminho em que estamos. Isso gera um problema importante: há uma cultura pequena inserida em outra que a contém, que está dentro de outra que a contém, e assim por diante. No fim, Oriente e Ocidente compartilham algo em comum há cerca de 5 mil anos ou mais: o patriarcado como sistema de organização social. O patriarcado se baseia na submissão. Em princípio, da mulher em relação ao homem e da criança em relação ao adulto. Também tem um objetivo prioritário, que é a acumulação de patrimônio. Portanto, a ideia é que alguns acumulem tudo o que seja possível, e para isso será necessário submeter outros para que ofereçam sua força de trabalho. Alguns acumulam, outros servem. Os homens exercem o poder enquanto as mulheres servem. Os adultos decidem enquanto as crianças se submetem ao desejo dos mais velhos.

A ferramenta mais importante do patriarcado para obter a submissão das mulheres tem sido a repressão sexual. Que não tem absolutamente nada que ver com a religião (judaico-cristã no caso). A palavra “religio” deriva de “religare”, que significa relacionar, vincular, associar. A “religio” na Roma clássica se referia às obrigações de cada indivíduo em relação própria comunidade. Era necessário honrar concretamente os valores que constituíam a base da convivência. Então, não foi a religião que obrigou as mulheres a reprimir sua sexualidade, mas a lógica do patriarcado.
Vamos considerar que o propósito principal era a acumulação de terras. As mulheres se constituíram também em propriedade. Se pertenciam ao varão, garantiam o pertencimento dos filhos, futuros proprietários dos bens dele. Para conseguir que as mulheres deixassem de ser sujeitos e se tornassem objetos de uso, era imprescindível que deixassem de “sentir”. As mulheres – por meio dos ciclos vitais – estiveram sempre intimamente ligadas ao próprio corpo. Para deixar de estar tão envolvidas com o próprio corpo, este teve de se tornar perigoso ou pecaminoso. Intocável. Se uma mulher não pode tocar nem ser tocada, o corpo se paralisa, as sensações corporais prazerosas se congelam, e a mulher deixa de ser ela mesma. Torna-se um corpo sem vida em termos femininos, um corpo distante, indomável, incompreendido. A mulher que sangra é considerada suja e impura. Todos entendemos esses conceitos, porque “mamamos” essas crenças, que estão mais arraigadas do que parece.

A humanidade organizada sobre a base da conquista de terras, as guerras – necessárias para aumentar o patrimônio – e a submissão das mulheres são a mesma coisa. Hoje não se conhece cultura que não esteja alinhada a essa forma de vida, a ponto de acreditarmos que o ser humano “é” assim: manipulador, guerreiro, conquistador, injusto. Entretanto, não deixa de ser uma apreciação feita apenas do ponto de vista do patriarcado. É verdade que quase não restam sinais de outros sistemas, que comunidades matrifocais, centradas no respeito pela Mãe Terra, na ecologia, na sexualidade livre, na igualdade entre seres vivos e no amor como valor supremo não sobreviveram. Mesmo que pareça um paradoxo, essa foi a mensagem de Jesus. Mas rapidamente o patriarcado dominante na época se encarregou de transformá-lo nas crenças cristãs que, na prática, não tem nada que ver com as palavras de amor, solidariedade, confiança e igualdade entre os seres vivos que Jesus proclamou.

 A questão é que passamos vários séculos da história mergulhados em repressão sexual. Isso significa que o corpo é considerado baixo e impudico, e o espírito, alto e puro. As pulsões sexuais são malignas. E a totalidade das sensações corporais é indesejada. Em que lugar aprendemos que não há lugar para o corpo e para o prazer? No exato momento do nascimento. Segundos depois de nascer, já deixamos de ser tocados. Perdemos o contato corporal que era contínuo no paraíso uterino. Nascemos de mães reprimidas ao longo de gerações e gerações de mulheres ainda mais reprimidas, rígidas, congeladas, duras, paralisadas, incapazes de tocar e muito menos de acariciar. O sangue congela, o pensamento congela, as intenções congelam e o instinto materno se deteriora, se perde, se descontrói e se transforma.

Nós, mulheres, com séculos de patriarcado nas costas, afastadas de nossa sintonia interior, não queremos parir, nem sentir, nem entrar em contato com a dor. Não sabemos o que é o prazer orgásmico. Carregamos séculos de dureza interior, vivemos com o útero rígido, a pele seca, os braços incapacitados. Não fomos abraçadas por nossas mães, porque elas não foram abraçadas nem embaladas por nossas avós e assim por gerações e gerações de mulheres que perderam o vestígio de brandura feminina. Quando chega o momento de parir, nosso corpo inteiro dói devido à inflexibilidade, à submissão, à falta de ritmo e de carícias. Odiamos nosso corpo que sangra, que muda, que ovula, que mancha, que é ingovernável. E ainda por cima nasce outro corpo que não podemos tocar nem nos aproximar. E não sabemos o que fazer.
É importante levar em conta que, além da submissão e da repressão sexual histórica, as mulheres parem em cativeiro. Há um século – à medida que as mulheres ingressaram no mercado de trabalho, nas universidades e em todos os circuitos de intercâmbio público – cedemos o último bastião do poder feminino: a cena do parto. Já não nos resta nem esse pequeno cantinho de sabedoria ancestral feminina. Acabou-se. Não há mais cena de parto. Agora há tecnologia. Máquinas. Homens. Horários programados. Drogas. Picadas. Ataduras. Lâminas que raspam. Torturas. Silêncio. Ameaças. Resultados. Olhares Invasivos. E medo, claro. Volta a aparecer o medo no único refúgio que durante séculos excluiu os homens. Acontece que entregamos até esse último resguardo. Foi a moeda de troca para que nos permitissem circular por onde há dinheiro e poder político. Entregamos o parto. Foi como vender a alma feminina ao diabo.
Foto: Tammra McCauley/ Flickr – CC BY 2.0
Esta é a concepção de parto para muitos atualmente. Foto: Tammra McCauley/ Flickr – CC BY 2.0
Entregar o parto supõe abandonar nas mãos de outros a vinda do indivíduo que nasce nesse instante. Se estamos confirmando a importância da biografia humana de cada indivíduo e a qualidade da maternagem recebida, não há dúvida de que a maneira como a cria humana é recebida será fundamental na constituição do personagem e na posterior armação da trama familiar.
Foto: Shutterstock
Foto: Shutterstock
Muito bem, mas é possível “entregar”o parto? Pode-se perder algo tão intrínseco ao ser feminino, algo tão próprio como o corpo gestante que dá a luz? Sim, é possível extraviá-lo de todo o seu sentido profundo. Se a mulher está fora de si mesma. Mas por acaso o instinto materno não é mais forte? Depende. Se a situação é de despojo, o instinto terá que se esconder para sobreviver em melhores condições.

Em todos os zoológicos do mundo se sabe que qualquer fêmea mamífera criada em cativeiro terá poucas chances de conceber e dar à luz. Os partos costumam ser difíceis. Então, se não consegue, difícilmente “reconhece”a cria como própria e possivelmente terá dificuldades para amamentá-la e protegê-la. Os cuidadores encarregados do zoológico se verão obrigados a dar assistência tanto à mãe mamífera como à cria, alimetando e higienizando o recém nascido e intervido para que a mãe se relacione com o filho. Acontece algo muito parecido conosco: atravessamos a gravidez totalmente despojadas de nosso saber interior e então parimos em cativeiro: amarradas, picadas, ameaçadas e apressadas. O parto não é nosso. É das máquinas, do pessoal médico, das intervenções e das rotinas hospitalares. Estamos em uma prisão, amarradas de pés e mãos, submetidas a torturas. Nessas condições, por lógica, imediatamente depois de realizado o nascimento, desconhecemos nossa cria. Nas instituições médicas, geralmente o bebê é levado e trazido mais tarde banhado, penteado, vestido e adormecido, depois de receber glicose para que não chore mais do que deveria. A partir desse momento, temos que fazer um esforço intelectual para conhecer esse filho como próprio, com a culpa e a vergonha de pensar internamente que talvez não tenhamos esse desejado “instinto materno”. Somos estranhas assim, temos muito medo de não saber então como ser uma boa mãe, como fazer o certo e como criar esse filho. Na verdade, despossuídas de nosso saber interior, não sabemos de nada. Perguntamos, como meninas, as trivialidades mais rudimentares. Pedimos permissão para segurá-los – e veja o paradoxo: a resposta é negativa.

Fonte: Google
O afastamento do da mãe e do bebê  logo após o nascimento. Foto: Google

O jogo já começou. Proíbem-nos de tocar a criança e levamos em consideração orientações antinaturais estúpidas como essa. Porque somos submissas há séculos, o que nos conduz à mais terrível ignorância. Isso significa que estamos despossuídas, além de termos ficado feridas. Depois do parto medicado, sistematizado e moderno, costumamos estar cortadas, costuradas, enfaixadas e imobilizadas, e a criança costuma estar distante de nosso corpo. Não podemos segurá-la por nossos próprios meios devido às feridas e cortes. Além disso estamos cortadas de nosso ser essencial, com o qual sequer sentimos a necessidade visceral de ter a crianças nos braços. É assim que a maquinaria ancestral do patriarcado continua funcionando à perfeição. Cada criança não tocada por sua mãe é uma criança que servirá à roda da indiferença, à guerra e à submissão de uns pelos outros.

Fonte: Google
“A necessidade básica primordial de toda a criança humana é o contato corporal e emocional permanente com outro ser humano”  Foto: Google

Do ponto de vista da criança, a decepção é enorme. Porque a necessidade básica primordial de toda criança humana é o contato corporal e emocional permanente com outro ser humano. No entanto, se sustentarmos a repressão de nossos impulsos básicos como bastião principal, essa demanda de contato da criança vai se transformar em um problema. Preferimos nos afastar de nosso corpo. Nenhuma outra espécie de mamíferos faria algo tão insólito com a própria cria. Mas para os humanos é comum determinar que o melhor é “deixá-lo chorar”, “que não fique mal acostumado” ou “que não fique manhoso”. Para nós é totalmente habitual que o corpo da criança esteja separado: apenas no berço. Apenas em seu carrinho. Apenas em sua cadeirinha. Supomos que deva dormir sozinho. Cresce um pouco e já opinamos que é grande para pedir abraços ou mimos. Logo depois é grande para chorar. E sem dúvida, sempre é grande para fazer xixi, para ter medo de insetos ou para não querer ir à escola. Se tudo que necessitava desde seu nascimento foi de contato e não obteve, sabe que seu destino é ficar sozinho. Finalmente a criança adoece. Quase todas estão doentes de solidão. Mas nós, adultos, não reconhecemos na doença da criança a necessidade deslocada de contato corporal e presença. A repressão sexual é isso: é medo de tocar a criança porque tocar nos dói. Dói nosso corpo rígido de falta de amor, dói na moral, dói na alma.

A repressão sexual encontrou na moral cristã sua melhor aliada. Porque utiliza ideias espiritualmente elevadas como o amor a Deus para esconder uma realidade muito mais terrena e desprovida de atributos celestiais: a necessidade de possuir o outro como um bem próprio. E a compreensão de todos os medos primários por falta de maternagem é substituída pela acumulação de dinheiro. Inclusive se nós mulheres já nos percebemos como praticantes ou devotas, a repressão sexual continua agindo ao longo de várias gerações, porque nos privamos de tocar nosso corpo e, consequentemente, de tocar o corpo da criança com amor e dedicação.

Quase todas biografias humanas às quais temos acesso são marcadas por níveis de repressão sexual que não imaginávamos pudessem ser tão importantes. Quando precisamos determinar as dinâmicas familiares ou o grau de desamparo emocional sofrido durante a primeira infância, a investigação sobre a moral religiosa da mãe será um dado fundamental. Nessa busca simples, encontraremos a marca principal do sofrimento de cada indivíduo, e nos veremos obrigados a revisar todo o material sombrio que ele tem escondido. Pensemos que a moral e a repressão sexual nos obrigam a mentir. Sim, nos obrigam a agir de forma diversa que nossas pulsões básicas ditam. Daremos nomes altivos a isso ou não, pouco importa. mas à medida que mascaramos nossas verdadeiras e genuínas pulsões com mais empenho, mais nos afastaremos de nossa essência pessoal e mais grosseiramente confeccionaremos a roupa do personagem que vai nos cobrir e disfarçar o que somos.

A vida reprimida normalmente é tão comum e corrente que não paramos para registrar a influência nefasta que a repressão sexual exerce sobre cada um. Esse desastre ecológico, que tem vários séculos de sucesso aberrante, prejudica a vida de homens e mulheres. Nosso trabalho é descobrir, por meio da construção da biografia humana, a porção de repressão, moral, refúgio e medo que cada indivíduo carrega em si, encobrindo o que de mais belo, instintivo e lindamente animal nos faz humanos.

Insisto que abordar o nível de repressão sexual em cada biografia humana é fundamental, tanto em homens como em mulheres. As consequências para as mulheres são facilmente detectáveis. Com um pouco de experiência profissional, registrar o tônus muscular e a dureza do olhar daquelas que nos consultam é suficiente para antever o nível de autoexigência e de rigidez que as mantêm presas. Nos homens pode ser mais complicado detectar, pois conseguem dissociar um pouco mais as pulsões sexuais do contato corporal. Ou seja, pode ter a sensação de que leva uma vida sexual muito ativa, mas com menos registro do vazio emocional. Por isso é possível que não detectem ali um “problema”. Em todos os casos, é necessário investigar e ver o que encontramos.

Fonte: O Poder do Discurso Materno, Capítulo 5, Os Estragos da Repressão Sexual, Patriarcado e Repressão sexual, pág 102 a 109.

Benefícios dos carregadores Baby Slings para você e o bebê

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Sempre me visualizei carregando meu bebê perto de mim, assim bem coladinho no meu corpo. Imaginava como nas fotos de quando eu era bebê com minha mãe me carregando pra cima e pra baixo utilizando canguru, que é bem comum no Japão. Acho que é a maneira mais fácil e natural de integrar o bebê a sua vida diária e afazeres domésticos. No entanto, durante um dos meus passeios pelo mundo virtual encontrei uma forma diferente de carregar bebês junto ao corpo bem do jeito que eu queria. Era o tal do baby sling.

Um baby sling nada mais é do que um porta-bebês de pano usado a tiracolo que possui uma zona côncava onde o bebê fica aninhado. Concebido inicialmente nos EUA, em 1981 por Dr. Rayner Garner, os baby slings são uma adaptação à vida urbana dos lenços e panos usados tradicionalmente em todo o mundo para transportar os bebês e crianças pequenas, e têm vindo a tornar-se cada vez mais populares pela sua simplicidade e óbvios benefícios que proporcionam.

Achei fantástica a ideia e decidi que iria experimentar com minha filha. Acabei ganhando um sling de argola que foi da esposa do meu tio e quase não foi usado. Amei e continuo amando a experiência!!! Luna Maria, então, nem se fala!!rs O sling não só é prático, como também reafirma a sua capacidade de prover o ambiente mais benéfico possível para o bebê. E assim, vamos continuar juntinhas, coladinhas do jeitinho que a gente gosta…

Luna Maria com 15 dias coladinha na mamãe
Luna Maria com 15 dias coladinha na mamãe

 

Benefícios dos baby slings para:

  • os bebês que são carregados
  1. Choram menos! (43% menos no total e 54% menos durante as horas do dia) *1
  2. São mais saudáveis! (ganham peso mais rápido, tem melhor habilidade motora, coordenação, maior tonificação muscular e senso de equilíbrio) *2
  3. Tem uma melhor visão do mundo! (bebês em carrinhos vem o mundo a altura dos joelhos de um adulto)
  4. Dá mais segurança . O bebê tem acesso a comida, calor e amor.
  5. Ganham independência mais rapidamente! *3
  6. Dormem melhor! (mais rapidamente e por períodos mais longos) *3
  7. Aprendem mais! (não são super-estimulados, mais calmos e alertas, observando e participando do mundo ao seu redor) *3
  8. São mais felizes! (se sentem mais amados e seguros) *4
Luna Maria com 1 mês no sling fazendo um passeio ao ar livre e muita natureza
Luna Maria com 1 mês no sling fazendo um passeio ao ar livre, com a família e muita natureza

 

  • para você que carrega o bebê
  1. Melhora a comunicação entre os dois, já que você se sintoniza com os gestos e expressões dele.
  2. Cria pais mais auto-confiantes. Não há nada melhor que ter um bebê calmo e contente graças a que você sabe atender suas necessidades.
  3. É conveniente . Não há incomodidades nem complicações como ter que carregar um bebê-conforto num braço e o bebê no outro.
  4. Facilita a locomoção. Você pode caminhar por calçadas e terrenos irregulares, ruelas estreitas, subir e descer escadas, entrar a locais com muita gente sem bater em ninguém com o carrinho, etc.
  5. É saudável para você. Permite você sair para caminhar e respirar ar puro!
  6. Amamentação discreta sem necessidade de buscar um lugar apropriado para sentar.
  7. Permite você interagir com outras crianças ou filhos e ainda assim manter seu bebê perto e seguro.
  8. Mãe e bebê podem sair de casa juntos! Você pode ir a qualquer lugar com seu bebê seguro e acolhido.
  9. Suas mãos estão livres. Você pode fazer compras, caminhar, passear, ler um livro,  brincar com o seu filho maior ou ainda sair para um lindo almoço na cidade.
  10. É a solução natural para o sono do bebê. Você acalma e agrada seu bebê com seu calor, sua voz, seus movimentos e o batimento de seu coração.

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Fontes Citadas